Franceses pretendem fazer 1.000 km de pavimentos com painéis solares

O que? A ministra de meio ambiente, desenvolvimento sustentável e energia (aliás, que ótima ideia juntar energia, desenvolvimento e meio ambiente na mesma pasta) da França, Ségolène Royal, anunciou que o governo francês pretende pavimentar 1 mil km de pistas com painéis solares desenvolvidos especialmente para suportar o tráfego de veículos. Uma iniciativa que, se trouxer os resultados previstos, pode ajudar a mudar o perfil energético do país.

Sem necessidade de reconstruir a pista

A França é um dos países que mais dependem de energia nuclear no mundo. Em 2012, o presidente François Hollande anunciou um plano para baixar de 75 para 50% a participação dessa fonte na matriz energética do país até 2025. Uma meta ousada, mas que ainda deixaria os franceses dependendo demais de usinas atômicas. Mas um passo importante para atingi-la pode estar a caminho: a transformação de estradas em superfícies para produção de energia solar.

A ministra de meio ambiente, desenvolvimento sustentável e energia do país, Ségolène Royal, anunciou no final de janeiro o projeto de instalar pavimentos de painéis solares em mil quilômetros de pistas. Para isso, o governo francês conta com o desenvolvimento do Wattway, um sistema de painel solar capaz de suportar o tráfego de veículos de grande porte (como caminhões e ônibus) e fornecer energia para 5 mil pessoas a cada quilômetro.

EM CASA: Veja quanta energia solar você pode gerar (e quanto ganharia com isso)

A tecnologia, desenvolvida pela empresa Colas, é composto por painéis fotovoltaicos de silicone policristalino de 7 mm de espessura. O material pode ser colocado diretamente sobre o pavimento já existente, dispensando a reconstrução das pistas e mantendo a aderência necessária para a circulação dos veículos.

Caminhão passando sobre pavimento de painéis solares (Joachim Bertrand/Divulgação Colas)
Caminhão passando sobre pavimento de painéis solares (Joachim Bertrand/Divulgação Colas)

 

Os recursos para viriam de impostos sobre os combustíveis, que levantariam de € 200 a 300 milhões para diversos projetos de melhoria das estradas. A ministra Royal considera que, dessa forma, o impacto da taxa seria menor. Como o valor do petróleo está caindo no mercado internacional, a taxa absorveria a queda do preço final da gasolina e do diesel.

NO BRASIL: Florianópolis terá ponto de ônibus com teto verde e energia solar

Se a meta inicial de mil quilômetros for atingida, as estradas produziriam energia suficiente para abastecer a casa de 5 milhões de pessoas, equivalente a 8% da população francesa. Mas, se houver sucesso no projeto, ele pode ser ampliado para cobrir uma parcela maior dos 1,03 milhão de quilômetros da malha rodoviária francesa. Isso não significa que toda a energia da França seria produzida nas vias, pois a contagem do potencial de abastecimento não considera a energia gasta por aquecedores e, principalmente, no uso em indústrias. De qualquer modo, poderia ajudar bastante na meta de redução de energia nuclear.

O projeto francês não é o primeiro nessa linha. Em 2015, a cidade holandesa de Krommenie fez uma faixa de 100 metros de pavimento de painéis solares em uma ciclovia. Os resultados foram melhores que o esperado, mas a tecnologia utilizada é mais custosa que a francesa, pois exige a reconstrução do piso.