A economia está em baixa, as oportunidade de trabalho rareiam, as instituições se deterioram e não há perspectiva de melhora em curto prazo. O cenário na Venezuela não dá muitas razões para otimismo, e muitos venezuelanos decidiram se mudar para o exterior e recomeçar a vida. E acabaram criando o estranho fenômeno de casas abandonadas em Caracas.

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Não há números oficiais, mas o sociólogo Iván de la Vega, professor da Universidade Simón Bolívar, de Caracas, calcula que 1,2 milhão de pessoas deixaram o país entre 2004 e 2014. Os principais destinos seriam Estados Unidos, Espanha, Panamá e Costa Rica. Muitos deles são profissionais com formação universitária e poder aquisitivo médio ou alto e deixaram para trás suas casas.

Em uma situação normal, esses imóveis seriam colocados no mercado. Mas não é o que tem acontecido. A crise econômica murchou o setor imobiliário, pois poucas pessoas têm condições de investir em um imóvel.

Colocar para aluguel seria uma opção, mas essa prática é fortemente regulada, com uma agência estatal – a Sunavi, Superintendência Nacional de Aluguel de Moradia – criada para controlar a relação locatário-locador. A lei do aluguel, criada em 2011, é fortemente favorável aos inquilinos. A ideia é interessante, protegendo o lado mais fraco da relação, mas acabou alimentando ainda mais a especulação.

Para muita gente, vale mais a pena deixar o imóvel vazio na esperança de tê-lo disponível para um eventual retorno à Venezuela. Com isso, amigos e familiares são designados para ajudar a manter as casas vazias, que começam a se multiplicar pelos bairros de classe média do país.

Enquanto isso, a sociedade venezuelana vai se tornando ainda mais desfuncional. Comunidades se quebram com o aumento de casas vazias, e não há mecanismos práticos para incentivar a ocupação delas. A não ser que se repitam operações como a de abril em Los Cerritos, Ilha Margarida, quando a Guarda Nacional Bolivariana (força armada responsável por ações internas) inspecionou imóveis para se verificar 11 imóveis suspeitos de estarem vazios.

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