O que? Um grupo de pesquisadores analisou as caracterpisticas da rede de comunicação em colônias de uma espécie de formiga da Austrália. O resultado surpreende pela capacidade dos insetos de manterem a eficiência e o baixo custo de manutenção nas trilhas que ligam os diversos ninhos. Desde que se saiba manter o tamanho adequado para não perder o desempenho.

Ligações mínimas

Indívíduos concentrados em alguns núcleos, com vias de comunicação eficientes e bem mantidas permitindo que toda a comunidade tenha um funcionamento quase orgânico e ordenado para as diferentes necessidades do grupo. Esse cenário ainda é difícil de atingir para os seres humanos e suas cidades, mas uma pesquisa mostra que é assim a vida na colônia de formigas.

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A edição de novembro do Journal of the Royal Society Interface traz uma pesquisa sobre a rede de transportes da uma colônia da Iridomyrmex purpureus,  uma espécia de formiga da Austrália. Os biólogos David Sumpter e Arianna Bottinelli, da Universidade de Uppsala (Suécia), Ellen van Wilgenburg, da Universidade Fordham (Estados Unidos) e Tanya Latty, da Universidade de Sydney (Austrália) tinham uma tarefa complicada. Uma comunidade é formada por vários formigueiros e chegam a ter até 64 mil indivíduos, se estendendo por vários quilômetros (a maior supercolônia já encontrada na Austrália tem 100 km de extensão, mas era de outra espécie).

Mesmo com esses números impressionantes, os formigueiros têm um sistema de funcionamento eficiente e com manutenção simples, mesmo sem um sistema de planejamento centralizado. A rede de comunicação é feita de forma orgânica, sempre seguindo uma lógica: ninhos novos sempre são conectados com a fonte de alimento mais próxima ou, se não houver uma, a outro ninho da mesma colônia que pode servir de interposto. Seguindo sempre esse princípio, que os pesquisadores chamaram de MLM (modelo da ligação mínima) as vias são sempre as mais curtas possível, encurtando as distâncias das formigas que transportam a comida e reduzindo o esforço necessário para manter essas vias limpas.

O estudo também identificou que, no caso da espécie observada, a eficiência da rede viária começava a cair quando a colônia passava de 15 formigueiros. Nesse caso, alguns indivíduos deixavam a comunidade para criar uma nova colônia.

Esse modelo parece instintivo e permite diversos paralelos sobre o atual momento das grandes cidades. Até porque nem sempre os seres humanos seguiram esse princípio. Muitos planos de mobilidade modernos priorizam o encurtamento de distância entre a moradia e o local de trabalho justamente por reduzir o sacrifício da comunidade como um todo. Os humanos só precisam encontrar uma resposta a como evitar o gigantismo das megalópoles, pois o sistema social adotado muitas vezes leva a isso. Mas um dia chegamos à eficiência dos insetos.

Serviço
O artigo completo (chamado “Minimização do custo logal em uma rede de transporte de formigas: de dados em pequena escala o perde-e-ganha em larga escala”) está aqui.

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