Juntar documentação, pagar uma taxa salgada, pedir o visto, passar por uma entrevista, conseguir o visto, pagar uma passagem aérea (ou ficar dias na estrada ou em um navio) e passar pela imigração no aeroporto ou na fronteira, com nova entrevista e eventual vistoria. Entrar em território norte-americano não é fácil para um estrangeiro. Mesmo para quem seja de algum país que dispense visto, ainda terá de passar por alguns desses processos e correr o risco de ser barrado.

Mas há uma maneira de entrar nos EUA sem passar por nenhum desses trâmites. Não que se possa fazer muita coisa com isso, mas vale mais pela curiosidade e pelo eventual fetiche que alguém pode ter apenas em pisar em território americano.

A fronteira americana é completamente aberta em um ponto: Hyder, uma cidade de 87 (sim, oitenta e sete. Não há erro de digitação) habitantes na fronteira entre o Alasca e o estado de Colúmbia Britânica, no Canadá. O melhor acesso à vila é por terra, e qualquer um que vier pela estrada terá passagem livre, sem inspeção de documentação ou do veículo.

Localização de Hyder na fronteira entre o Alasca e o Canadá (Reprodução)

Localização de Hyder na fronteira entre o Alasca e o Canadá (Reprodução)

Essa abertura ocorre por uma questão prática. O governo americano mantinha um posto de imigração na cidade até a década de 1950. No entanto, o gasto era desproporcional para uma fronteira pouco usada e de pouco risco.

O acesso por terra é pela rodovia 37A, que vem de Stewart, Canadá. Depois de passar por Hyder, a estrada se transforma na NFD 88, uma via que segue pela floresta (NFD é “National Forest Development”) em direção ao norte e depois retorna ao território canadense, para as minas Premier (ouro, já desativada) e Granduc (cobre). Ou seja, Hyder está ilhada do resto dos Estados Unidos e sua única comunicação por terra é com o Canadá.

Detalhe mostrando o acesso de Stewart, Canadá, a Hyder, EUA (Reprodução)

Detalhe mostrando o acesso de Stewart, Canadá, a Hyder, EUA (Reprodução)

Essa característica sempre fez Hyder depender muito de suas vizinhas canadenses, tanto que seu auge foi na época de funcionamento da mina Premier. Da mesma forma, o isolamento dá ao governo norte-americano a garantia que um imigrante não entrará ilegalmente no país por esta fronteira.

Toda a comunicação de Hyder com o resto dos EUA se dá por avião, com voos periódicos para Ketchikan, cidade mais próxima (distância de 102 km de florestas, montanhas e mar) e ponto de partida para o resto do Alasca. É nessa conexão que ocorre toda a vistoria de estrangeiros.

Todo avião que chega de Hyder é tratado como voo internacional no aeroporto de Ketchikan e seus passageiros estão sujeitos à vistoria das autoridades norte-americanas. Ou seja, até dá para entrar nos EUA sem passar pela imigração, desde que a pessoa se contente em ficar em uma cidade de menos de 100 habitantes.

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someonePin on PinterestShare on Tumblr