Como as marcas do apartheid ainda são fortes nas cidades sul-africanas

O Brasil é famoso por sua desigualdade social e vemos imagens disso todo dia. Nem precisa procurar muito. Um dos ícones dessa disparidade é a clássica foto de um condomínio de alto padrão no Morumbi, com uma piscina na varanda de cada apartamento, ao lado da favela de Paraisópolis. Ainda assim, certas cenas ainda causam espanto. Como as feitas pelo fotógrafo Johnny Miller em seu trabalho Unequal Scenes (Cenas Desiguais).

O norte-americano usou um drone para fazer imagens aéreas de várias cidades da África do Sul, país onde mora desde 2011, enfocando nas diferenças ainda muito fortes entre os bairros brancos e negros. Ele ainda fez vídeos, apresentando diversos casos. Como o de Strand e Nomzamo, duas regiões vizinhas a 40 km da Cidade do Cabo.

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Strand é um bairro de alto padrão, com belas praias, infraestrutura de lazer e muito procurado por turistas. Como é de se imaginar, foi colocado como uma região para a população branca durante o apartheid. O africâner – desenvolvido a partir do holandês levado por colonos – é o idioma predominante.

Uma faixa de terra delimitada por cercas, quase uma trincheira, separa o bairro de Nomzamo, um antigo township (espécie de gueto criado pelo governo sul-africano para concentrar a população negra) que servia de moradia a homens solteiros que trabalhassem em fazendas da região. Nomzamo cresceu a ponto de ter cerca de 60 mil habitantes. Alguns deles foram desalojados pelo governo após protestos em uma rodovia da região e hoje moram em abrigos construídos no meio dessa trincheira.

Vale a pena dar uma conferida, e perceber como 22 anos do fim do apartheid não está nem perto de ser suficiente para apagar as diferenças sociais e raciais promovidas pelas décadas de regime de segregação. Imagens que impressionam até quem já vive em um país muito desigual.

[Engadget]