Se você sabe que vai viajar nos próximos meses, inclusive tem a data marcada, é recomendável que já adquira sua passagem aérea. Se a compra for realizada antes de 14 de março, o preço do bilhete terá incluído o serviço de transporte de bagagem de até 23 kg (voos nacionais) ou 32 kg (internacionais). Depois disso, a companhia aérea poderá cobrar para despachar suas malas. Ou não, porque no Brasil de hoje tudo é meio confuso.

Na manhã desta quarta (13), a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou a regra que permitia às companhias aéreas exigir um pagamento extra pelo transporte de bagagem (não conta bagagem de mão). A ideia é que, sem precisar embutir esse serviço no preço, as empresas poderiam oferecer viagens mais baratas para quem não levar nenhuma mala. Horas depois, o Senado anulou a decisão e fica aquela confusão sobre o que acabará acontecendo (ou seja, POR ENQUANTO, não precisa ter pressa para comprar sua passagem da viagem de meio de ano).

Bem, o blog Todos a Bordo explicou muito bem como, no exterior, essa prática é bastante comum. Mais que isso: companhias aéreas adotam regras das mais diversas para cobranças. Isso certamente confunde e irrita alguns viajantes, mas também contribui para que existam passagens com valores bastante baixos.

Isso significa que, dentro desse setor, cobrar pelas bagagens despachadas não é o fim do mundo. No entanto, é difícil simplesmente adotar a prática internacional como justificativa para se aceitar a proposta da Anac. O modus operandi de muitas empresas brasileiras nem sempre inclui a queda de preços quando há queda de custo.

O exemplo mais claro é o combustível. O valor do petróleo caiu violentamente nos últimos anos, e isso não trouxe uma queda proporcional no preço da gasolina ou do diesel nos postos de gasolina, tampouco baixou o custo do frete de produtos, muito menos influenciou violentamente o quando empresas de transporte cobram de seus passageiros, seja ônibus urbano, ônibus interurbano e avião.

Se quiserem legitimar o valor da medida aprovada pela Anac, as companhias aéreas poderiam já anunciar o quanto a medida impactaria o preço das passagens. Ricardo Catanant, superintendente de acompanhamento de serviços aéreos da Anac, já foi evasivo: “A agência não pode dizer que os preços vão cair por conta de outros fatores, como a situação econômica do país, os custos do petróleo e a cotação do dólar. Mas o comportamento no mundo todo demonstra que isso se reflete em benefícios aos passageiros”.

Ele até disse a verdade, mas o consumidor brasileiro tem motivos históricos para desconfiar, e seria bom se ele recebesse informações mais assertivas sobre isso.

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