Carmel é o típico subúrbio norte-americano. A cidade está localizada imediatamente ao norte de Indianápolis e boa parte de seus 86 mil habitantes são considerados de classe média. A maioria deles vive em bairros planejados, com casas espaçosas, baixo adensamento, vias largas e muita dependência de carro. Mas Carmel tem uma diferença em relação às demais: não é tão fácil encontrar um cruzamento com semáforo em suas grandes avenidas.

Essa história começou em 1996, quando James Brainard assumiu a prefeitura. O republicano tem uma paixão por rotatórias, e passou a substituir os semáforos por cruzamentos circulares sempre que possível. Segundo ele, essa solução proporciona um tráfego mais fluido, com redução de velocidade, menor risco de acidentes (de acordo com a Administração Nacional de Autoestradas, há uma queda de até 80% em acidentes graves), redução no consumo de combustível (os cálculos da prefeitura são de 90,9 mil litros de gasolina por rotatória) e menor custo de operação e manutenção pela eliminação de semáforos.

Um marco nessa política ocorreu em novembro. A cidade inaugurou sua 100ª rotatória, um feito que não passou em branco. A prefeitura organizou uma festa para celebrar, com direito a bandeirão americano e barracas com música e comida.

A paixão por rotatórias valeu à cidade o apelido informal de Capital Americana das Rotatórias. Um título que a prefeitura carrega com orgulho, e trabalha para manter. Brainard, que segue no comando da cidade até hoje, já anunciou o plano de construir mais 30 rotatórias.

Texto publicado originalmente no Outra Cidade.

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