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Categoria: Turismo

Barcelona acaba com estacionamento gratuito durante pico das férias

Não há mais época barata para estacionar o carro em Barcelona. A prefeitura da capital catalã aprovou a extensão do sistema de zona azul e zona verde para todo o ano. Com isso, acabou com a tradição de liberar todas as vagas nas ruas da cidade em agosto, época de mais movimento de turistas devido às férias de verão no hemisfério norte.

A prefeita Ada Colau tomou a atitude para as pessoas – moradores e turistas – a se deslocarem a pé, de transporte público ou de bicicleta. Ao incentivar esses meios de locomoção durante o mês de maior movimento, as autoridades acreditam que terão mais chances de atingir a meta de reduzir em 21% o uso de automóveis privados definida pelo Plano de Mobilidade Urbana de 2013 a 2018.

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Outra benefício da medida é para quem já tem carro na cidade. Em Barcelona, as ruas são definidas como zonas azul ou verde. A verde é mais recorrente em bairros residenciais. Elas são restritas para moradores da própria região. Outras pessoas precisam pagar e só podem deixar o veículo por duas horas. No entanto, as suas se tornam livres a qualquer um nos fins de semana e em agosto.

A zona azul se assemelha à xará brasileira: pode-se estacionar por tempo limitado de segunda a sexta e nas áreas de mais interesse turístico (centro da cidade e praias), também nos fins de semana e feriados. A diferença do modelo catalão é que a cobrança ocorre apenas das 9 às 14h e das 16 às 20h.

Zona azul em área comercial de El Prat, cidade na região metropolitana de Barcelona (Divulgação)

Zona azul em área comercial de El Prat, cidade na região metropolitana de Barcelona (Divulgação)

Em agosto, os moradores de Barcelona tinham dificuldade em encontrar vagas – lembrando que a liberação para parar na zona verde vale apenas para quem reside naquele mesmo bairro – devido à concorrência com os turistas por espaços. Com as restrições normais se estendendo para o mês de maior movimento turístico, a tendência é que mais vagas fiquem disponíveis.

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De acordo com os cálculos da prefeitura, são serão 39.593 vagas de zona verde na cidade, beneficiando 89.753 pessoas. Também serão atingidas as 9.787 vagas de zona azul.

Partido de oposição e algumas entidades ligadas à indústria do turismo reclamaram das medidas. Consideram que ela prejudicará os visitantes e os barceloneses que viajarão em agosto e deixarão seus carros nas ruas. No entanto, os moradores em geral – por terem mais vagas disponíveis – e sindicato de comerciantes – pela rotatividade que a limitação dos estacionamentos promovem – aprovam a medida.

Projetaram teleférico para turistas admirarem arquitetura de Chicago

Tem virado moda grandes cidades criarem planos de teleféricos como opção de transporte. Em cidades como Medellín, Rio de Janeiro e La Paz, essa tecnologia fazia sentido pelo modo como ela ajuda a integrar comunidades localizadas em morros. No entanto, foi proposta como alternativa em Washington, Cidade do México, Toronto e Nova York. Na última semana, foi a vez de Chicago apresentar seu projeto. Mas, ao menos, não vendem a ideia como transporte de massa.

Laurence Geller e Lou Raizin, dois empresários locais, apresentaram ao Choose Chicago, instituição que trata de questões de turismo e convenções na cidade, o projeto de uma linha de teleférico como mais um atrativo turístico. O Skyline (nome com duplo sentido e bem espirituoso) passaria pelas pelo centro, dando ao visitante uma vista aérea da elogiada arquitetura da terceira maior cidade norte-americana.

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A ideia do teleférico não seria apenas oferecer um novo ponto de vista, mas ele próprio ser uma atração. “Caímos sempre na mesma questão: qual é nosso diferencial? Onde está nossa Torre Eiffel? Nosso Big Ben? Essas ideias são nossas tentativas de responder essa questão e pretendem começar uma conversa sobre o que é Chicago e qual gostaríamos que fosse nossa reputação no futuro”, comentou Raizin em entrevista ao jornal Chicago Tribune. Segundo Geller, a nova atração atrairia 1,4 milhão de turistas por ano (em 2015, a cidade recebeu 50 milhões de visitantes).

Claro, eles tentam vender sua ideia. Chicago tem seus ícones, como a Willis Tower (ex-Sears Tower e ex-edifício mais alto do mundo), o Millenium Park, o Chicago Theater e a vista dos prédios a partir do Lago Michigan. Até o jazz e o blues podem servir de símbolos, ainda que não sejam físicos. Mas convencer a prefeitura e a população que o teleférico mudaria a cidade de patamar é importante quando se estima que o custo de implantação seria de US$ 250 milhões, parte dele bancado com verba pública.

Pelo projeto, a linha de teleférico poderia levar até 3 mil pessoas por hora e suas cabines foram desenhadas pelos arquitetos David Marks e Julia Barfield, os mesmos da London Eye (famosa roda gigante de Londres). Raizin e Geller calculam que, em valores de hoje, o ingresso do passeio ficaria em US$ 20, o mesmo da subida à Willis Tower e ao John Hancock Center, os dois edifícios mais altos da cidade.

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O Skyline em si parece um passeio interessante para quem já estiver em Chicago. A arquitetura local merece ser vista, mas há várias questões que motivam desconfiança da população e da mídia. Poucos acreditam na promessa que o teleférico funcionaria durante todo o ano, pois o inverno é bastante rigoroso. O vento também é apontado como um possível obstáculo. A Windy City (Cidade dos Ventos) não tem esse apelido à toa, ainda que as rajadas vindas do Lago Michigan não coloquem Chicago entre as dez cidades com piores ventos dos Estados Unidos.

Outro problema é visual. O espaço aéreo do Loop (centro) já está congestionado devido ao metrô, que se ergue em estruturas metálicas e serpenteia pelas principais avenidas. Mais uma estrutura, ainda que passando por outras vias, poderia causar rejeição.

Por isso, os investidores devem ter dificuldades para convencer a população a aprovar o uso de dinheiro público no projeto. Mas, se eles conseguirem viabilizá-lo econômica e tecnicamente e não houver rejeição à existência dessa nova atração, pode ser interessante.

China diversifica mais sua pauta de exportação: agora tem até policial

Eles estão por todos os lados, normalmente andando em grupos, com máquinas fotográficas em local de rápido acesso e dispostos a gastar muito dinheiro, de souvenires descartáveis a artigos de luxo. Chineses são presença constante em regiões muito turísticas na Europa, sobretudo Itália e França, um fenômeno que já começa a causar problemas… a eles. Por isso, o governo italiano teve uma ideia inusitada: utilizar policiais chineses nas regiões de maior fluxo de turistas.

Desde esta segunda, o patrulhamento nos pontos turísticos de Roma e Milão é feito por equipes que misturam agentes italianos e chineses. Essa política será adotada até o próximo dia 13. O período é curto, mas se encaixa com a época do Dia do Trabalho, uma das temporadas em que mais se tira férias na China (as outras duas são o ano novo, em fevereiro, e a semana do Dia Nacional, em outubro, quando a tradição é reunir a família).

A missão principal dos policiais chineses é justamente ajudar esses milhares de turistas. As autoridades italianas perceberam que, por falta de informação ou de familiaridade com a cultura ocidental, muitos deles se perdiam, não sabiam como recorrer a serviços aos quais tinham direito e, principalmente, se tornavam alvos fáceis de assaltantes ou golpistas.

Para aumentar o sentido de segurança desses turistas, os agentes chineses usarão sua farda tradicional, como se estivessem em Pequim ou Xangai. A ideia faz sentido pela operação em si, mas não surpreenderá se alguns italianos se sentirem incomodados pela presença de autoridades policiais de um país estrangeiro trabalhando com fardas em suas cidades.

O convênio foi firmado em setembro de 2015. Nos últimos meses, os departamentos de polícia dos dois países trocaram informações e experiências, além de treinar os agentes que trabalhariam nessas equipes mistas. Claro, os policiais chineses que participam do programa tinham como um dos requisitos iniciais a fluência em italiano.

O impacto dessa aproximação pode ir além do turismo. Angelino Alfano, ministro do interior da Itália, já deu pistas de que a política pode se estender a outros campos. “Pode abrir uma colaboração importante entre os dois países na troca de informações na luta contra o terrorismo e o crime organizado.” O ministro da segurança pública chinês, Liao Jingrong, fez coro: “É um ponto de partida para estimular a cooperação entre os dois países no desenvolvimento econômico”.

Uma das áreas que mais interessa a Itália é o combate à fabricação de produtos falsificados, sobretudo bolsas, roupas, relógios e outros artigos de luxo.

Temporada do turismo cria pressão para refugiados em porto da Grécia

A Páscoa ortodoxa será comemorada neste domingo, 1º de maio. Normalmente, é uma data esperada ansiosamente em Pireu. O feriado tradicionalmente marca o início da temporada de cruzeiros, e milhares de visitantes chegam à cidade portuária como parada para as centenas de passeios por Atenas, ilhas gregas ou pelo Mediterrâneo. Mas em 2016 será diferente. Os turistas são bem-vindos, mas ainda não se sabe direito como recepcioná-los.

Pireu é vizinha a Atenas e tem o maior porto da Grécia. Com isso, seu porto deixou de ser apenas uma parada para cruzeiros e ponto de referência da maior marinha mercante do mundo. O local também se tornou o local de chegada de milhares de refugiados que tentam se afastar das guerras em seus países – principalmente Síria e Afeganistão – para reconstruir a vida na Europa. Durante meses, a cidade grega era uma passagem, mas, nas últimas semanas, se tornou em abrigo provisório.

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Pela sua posição geográfica em relação ao Oriente Médio, a Grécia é um caminho natural desse ciclo migratório. Os refugiados chegam em terras gregas pensando em seguir o rumo para o norte, atravessando os Bálcãs até chegar à Alemanha. No entanto, essa rota foi interrompida nas últimas semanas. Bulgária, Macedônia e Albânia fecharam suas fronteiras para os imigrantes, que se viram presos na Grécia.

Rapidamente, a quantidade de refugiados em Atenas e Pireu se tornou maior do que as cidades podem acomodar, ainda mais considerando a situação econômica delicadíssima que vive a Grécia. Com isso, tendas foram erguidas no porto de Pireu, que se transformou em um campo de refugiados. Uma situação longe do ideal, em que há carência de serviços e até de segurança. Mas que pode ficar perto de insustentável com a chegada dos turistas.

O governo tem se mostrado compreensivo – ainda que visivelmente despreparado – com os refugiados e há elogios à solidariedade da maioria da população local (ainda que a crise também tenha impulsionado o crescimento do Alvorada Dourada, um partido de extrema-direita). Não houve grande pressão para impedir a chegada deles, tampouco forçar seu deslocamento.

Um elemento que ajuda os imigrantes é o próprio passado da Grécia. A Guerra Greco-Turca (1919 a 1922) foi marcada por limpeza étnica, resultando em milhares de mortes e um acordo de troca de população no final do conflito. Assim, 500 mil muçulmanos – de origem grega e turca – que viviam na Grécia foram enviados para a Turquia, que mandou 1,5 milhão de ortodoxos – de etnia grega ou turca. Assim, boa parte da população grega atual descende de pessoas que chegaram a sua própria terra como refugiadas e tiveram de reconstruir sua vida.

No entanto, as condições dos sírios e afegãos se deterioram. Há relatos de doenças, brigas (até com uso de facas) e fome. A falta de perspectivas também abaixa o ânimo dos refugiados, que não encontram muitas possibilidades de se inserir em um país que já vive uma crise econômica.

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Nesse cenário, oferecer boas condições para a chegada dos turistas não pode ser vista como uma ação fútil, inversão de prioridades ou ignorar o sofrimento de muita gente logo ao lado. Os visitantes injetam bilhões de euros na economia grega, o que representa um alívio para a enorme indústria de turismo local – o que pode até criar oportunidades de trabalho temporário para alguns refugiados.

Desde março as autoridades criam novos espaços para abrigar os refugiados. Os estádios de beisebol e hóquei na grama, dois elefantes brancos dos Jogos Olímpicos de 2004, já estão cheios de tendas. Mas muitos não querem sair do porto, com medo de serem deslocados para regiões afastadas de Atenas – onde estão as poucas oportunidades econômicas palpáveis – e de olho na infraestrutura de transportes, que ajudaria em uma rápida viagem ao norte caso Macedônia, Albânia ou Bulgária reabram suas fronteiras.

A meta do governo é que todos os refugiados de Pireu estejam abrigados em outros lugares da Grande Atenas até este domingo. Que isso não seja apenas – mais um – deslocamento, mas uma ida a locais com condições e oportunidades melhores.

Obs.: Se você se vira bem no inglês, confira essa reportagem do Guardian e essa do Huffington Post, mostrando o dia a dia de refugiados no porto de Pireu.

Até Las Vegas percebeu que não dá para viver só de carros

Assim que o turista faz o check in no hotel, recebe um mapa. Não é um mapa da cidade, com eventuais dicas das principais atrações na região, é um mapa do hotel. E eles são bastante necessários, pois é o jeito de não se perder no meio de centenas de mesas e máquinas de jogos, dezenas de lojas e restaurantes, auditórios, arenas e corredores para todos os lados. Os hotéis-cassinos que desenham a paisagem da Strip, principal avenida de Las Vegas, foram feitos para o visitante satisfazer todas as suas necessidades em um único local. Se precisar passear, há ônibus fretados para alguns locais ou precisa apelar ao táxi ou Uber.

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Transporte público não parece combinar com esse mundo da abundância e do perdularismo. No meio de tantas luzes piscantes, sósias do Elvis Presley e montanha-russa vertical, espera-se ver veículos extravagantes como uma limousine Hummer, uma Ferrari que sacie o desejo de um turista com crise de meia-idade ou um caminhão-balada. E, nesse aspecto, Las Vegas nunca decepciona.

O problema é que o mundo real não é feito dessa excentricidade. A cidade não vive apenas do turista que vai ao deserto do Nevada para apostar. A segunda maior fonte de renda da capital do jogo são os congressos e feiras, que usam o apelo turístico para atrair mais visitantes. E muitos deles não chegam pensando em gastar seus dólares desnecessariamente. Se somar esse público com a população local, que precisa fazer o trajeto casa-trabalho diariamente, percebe-se o crescimento da demanda por transporte público de massa.

Homem fantasiado de Elvis Presley carrega réplica de placa de Las Vegas (AP Photo/Julie Jacobson)

Homem fantasiado de Elvis Presley carrega réplica de placa de Las Vegas (AP Photo/Julie Jacobson)

Nesta semana, a prefeitura de Las Vegas divulgou um projeto para tornar a cidade mais verde, com um centro mais agradável e, principalmente, uma linha de VLT (veículo leve sobre trilhos) ligando o centro, a Strip e o aeroporto Internacional McCarran. A medida aliviria o trânsito nas avenidas que fazem esse trajeto, além de dar mais autonomia aos moradores e turistas, que deixam de depender de táxi, Uber, carros alugados ou ônibus oferecidos pelos hotéis.

A medida é vista como estrategicamente importante para manter Las Vegas como um dos principais centros de eventos. A cidade teme a concorrência com Orlando, que já inaugurou seu sistema de transporte de massa e conta com dois atrativos similares à capital dos cassinos: está em uma área que raramente neva (ou seja, pode receber eventos no inverno) e tem alto potencial turístico.

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O plano do VLT de Las Vegas ainda é incipiente e nem há um projeto. As estimativas iniciais é que o sistema custe entre US$ 2,1 e 12,5 bilhões, uma faixa de valores incomodamente larga. As autoridades calculam que ela traria muitos ganhos com a manutenção ou crescimento de eventos, além da redução de trânsito e do incentivo do comércio de bairro, outra coisa que parece não ter espaço em uma cidade em que um quarteirão com apenas dois hotéis chega a ter 800 metros de extensão.

Florença impõe cota mínima de comida local em restaurantes do centro

Turistas muitas vezes precisam de soluções práticas. Curtir a culinária do local visitado é normalmente a preferência, mas há momentos em que uma refeição rápida é a melhor alternativa. Menos em Florença. A capital da Toscana, região no centro-norte da Itália, criou uma lei para limitar a quantidade de comida forasteira oferecida no centro histórico da cidade.

A determinação da prefeitura é que qualquer estabelecimento novo na área de alimentação terá, obrigatoriamente, 70% de produtos regionais. Cada item deverá ser produzido na Toscana e ter no máximo dois intermediários entre o produtor e o consumidor. Para a definição de “produtos típicos”, é utilizado o catálogo de produtos agroalimentares tradicionais e o de certificados de denominação de origem protegida e indicação geográfica protegida. Os restaurantes e os alimentari (pequenos mercados especializados em produtos alimentares) já existentes não estarão sujeitos a essa regulação.

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De acordo com o assessor de desenvolvimento econômico da cidade, Giovanni Bettarini, o objetivo é proteger o pequeno comerciante e a cultura florentina. “Queremos que em Florença vença a qualidade. Uma escolha que estamos levando adiante em todos os setores, a partir da aprovação do regulamento para o centro histórico, ao trabalho nos mercados e no turismo”, afirmou em entrevista ao jornal La Repubblica. “Não podemos deixar que o comércio seja destruído, porque é uma parte dos valores e da identidade desta cidade.”

O representante da prefeitura deixa escapar uma ideia comum entre os italianos que só o país tem “comida boa de verdade”. Mas, cutucadas nas outras culinárias à parte, o alvo dessa medida são pequenos estabelecimentos de comida rápida que tanto agradam turistas com pouco tempo e dinheiro. Ainda que a gastronomia seja um atrativo turístico da Itália (ainda mais na Toscana, uma das regiões com mais farta produção de ingredientes de altíssima qualidade), muitos visitantes procuram opções mais práticas.

Esse tipo de comércio geralmente tem origem não-italiana, de redes internacionais de fast food a barracas de imigrantes do Oriente Médio que servem kebab (churrasco grego), algo bastante comum em cidades turísticas europeias. Por isso, medidas que obrigam a venda de ingredientes produzidos localmente e de receitas tradicionais de Florença ou da Toscana limitam diretamente a capacidade de ação desses estabelecimentos.

A estratégia dos florentinos soa exagerada, mas faz sentido dentro da relação dos italianos com sua culinária. A Itália é uma das nações que mais líderes do Slow Food (“Comida Lenta”, movimento que valoriza pratos com ingredientes orgânicos, locais, respeitando o meio ambiente e preparados de forma a valorizar o sabor) e tem quase uma compulsão por criar denominações de origem para seus ingredientes e pratos regionais. Há dez dias, a Comissão Nacional Italiana na Unesco (órgão das Nações Unidas para educação, ciência e cultura) decidiu apresentar a candidatura da pizza napolitana para se tornar um novo Patrimônio Cultural Imaterial da entidade.

De qualquer modo, a decisão de Florença não deixa de ser uma limitação ao trabalho de futuros comerciantes, e pode acabar tirando a quantidade de opções de turistas e florentinos que trabalham ou moram no centro. Além disso, por criar um modelo que incentive indiretamente os restaurantes, acaba reduzindo a quantidade de opções econômicas na cidade, que pode ganhar um rótulo de destino de alimentação mais cara.

A onda de gastronomia representa uma boa oportunidade para Belém

O que é? O público da TV Liberal, afiliada da Globo em Belém, elegeu o Ver-o-Peso como o maior símbolo da capital paraense. Um sinal da importância do mercado para a cidade, e que serve de lembrete de como ele tem um potencial para projetar a cidade, sobretudo em um momento em que a gastronomia virou um tema da moda no mundo.

Viver novas experiências, conhecer sabores inéditos

“A última fronteira gastronômica mundial.” É um título pomposo, que até soa exagerado, mas deve ser respeitado quando o responsável por ele é um dos maiores chefs do mundo. Foi assim que o espanhol Ferran Adrià se referiu à Amazônia, uma grande região do planeta com uma enorme biodiversidade, que proporciona milhares de ingredientes desconhecidos de muitas pessoas de fora. O que inclui mesmo no resto do Brasil. Bom para as pessoas que vivem na região e conhecem esses sabores. Melhor ainda para as cidades que puderem usar essa fama para capitalizar na onda mundial por gastronomia.

A comida demorou um pouco para virar tema da moda no Brasil, pelo menos em massificação. Ela veio nos últimos anos, e teve grande impulso com a criação da nossa versão do programa Masterchef. De qualquer modo, a TV a cabo já trazia programas desde a década passada, trazendo para uma parte do público brasileiro todo o crescimento desse assunto em diversos países do mundo.

Essa onda criou um novo público, o de entusiastas da comida. Pessoas que querem incluir experiências culinárias no seu dia a dia, incluindo nas férias. Vários lugares do mundo ganharam projeção, sejam países antes ignorados (Vietnã), regiões (Sichuan, China), cidades (Nova Orleans-EUA) ou mesmo estabelecimentos comerciais (Macelleria Cecchini, Panzano-ITA). O Brasil já tem suas referências, como o restaurante DOM e as churrascarias rodízio. Mas a tal “última fronteira gastronômica mundial” segue de fora. E, se for para se trabalhar nisso, já há um candidato natural.

O brasileiro Alex Atala apresenta o Ver-o-Peso ao espanhol Ferran Adrià. Os dois estão entre os melhores chefs do mundo (Divulgação)

O brasileiro Alex Atala apresenta o Ver-o-Peso ao espanhol Ferran Adrià. Os dois estão entre os melhores chefs do mundo (Divulgação)

O Mercado Ver-o-Peso, em Belém, já tem projeção no meio turístico. Localizado em um edifício histórico à beira da Baía do Guajará, é um dos pontos turísticos da capital paraense, foi visitado por alguns chefs internacionais que resolveram conhecer os tais sabores da Amazônia e até tem festival gastronômico. Nesta semana, foi eleito pelo público da TV Liberal, afiliada belenense da Rede Globo, como o principal símbolo dos 400 anos de Belém, que serão completados em 12 de janeiro de 2016. O mercado deixou para trás o Círio de Nazaré, o Túnel das Mangueiras, o Forte do Presépio e o bairro da Cidade Velha.

No entanto, a divulgação do espaço ainda é discreta. Sabe-se que o prédio do Ver-o-Peso tem valor histórico e que se encontra produtos diferentes do Mercadão de São Paulo ou do Mercado Central de Belo Horizonte. No entanto, não se faz um trabalho para mostrar o quão especial aquele lugar pode ser, o quão inédita seria a experiência de quem o visitasse (e não há nada que a geração atual mais ame do que “viver experiências inéditas”). Como fazer isso? Divulgação tradicional (publicidade), mas levar chefs famosos e a mídia para conhecer, levar chefs paraenses para eventos pelo resto do Brasil e o mundo, criar novas receitas com ingredientes locais e torná-los conhecidos como o açaí ficou.

Claro que pouca gente, no Brasil ou no mundo, faria uma viagem até Belém apenas por causa de seu mercado. Mas ele seria o chamariz principal para puxar todas as demais atrações da cidade, e não são poucas. Em um mundo que talvez nunca tenha falado e valorizado tanto a boa comida, a capital paraense tem uma oportunidade muito boa para se projetar.

Decoração de Natal é mais do que trânsito: pode virar dinheiro

O que é? É um final de ano meio chocho. Em clima de crise, muitas cidades brasileiras não fizeram tantos investimentos para se decorar com motivos natalinos. Uma situação particularmente marcante em São Paulo, onde o tradicional palco da Avenida Paulista não foi montado por falta de patrocínio. Para muitos, é um tipo de investimento a fundo perdido. Mas perde-se a oportunidade de reforçar a capital paulista como um centro natalino no Brasil.

O turismo natalino

Congestionamentos e mais congestionamentos. O paulistano está acostumado a lidar com o tráfego lento, mas em dezembro a situação é particularmente mais crítica. Só tem uma coisa que pode piorar a confusão nas ruas – e irritar ainda mais os motoristas: a inauguração da decoração de Natal no Parque do Ibirapuera e na Avenida Paulista. Curiosos começam a transitar em ritmo lento para ver as luzes, e os demais reclamam da dose extra de lentidão.

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Por isso, houve até um alívio de parte da população ao ver que a maior cidade brasileira entrou menos no clima natalino em 2015. Não houve o palco na Paulista e o comércio foi mais discreto nas decorações. Mas ver a decoração de Natal apenas como um elemento que piora o trânsito é olhar para uma parte pequena do cenário.

Ônibus com luzes de Natal passa em frente à árvore de Natal do Parque do Ibirapuera (Sidnei Santos/SPTrans)

Ônibus com luzes de Natal passa em frente à árvore de Natal do Parque do Ibirapuera (Sidnei Santos/SPTrans)

Em um ambiente cada vez mais agressivo é cético, é difícil imaginar uma grande cidade brasileira imersa no conceito de “espírito natalino”. É muito mais comum encontrar pessoas irritadas com a fila nas lojas e nos supermercados para comprar presentes ou ingredientes para a ceia do que corais infantis espalhando “Bate o Sino” pelas ruas. Mas o Natal ainda é uma data importante e simbólica para muita gente, pela origem religiosa ou apenas por afinidade com todas as tradições que giram em torno desse feriado.

Há muitas pessoas que aproveitam essa época do ano para reforçar o sentimento natalino passeando ou viajando. As grandes cidades brasileiras – e São Paulo em particular – não têm capitalizado com isso. Tratam a decoração de Natal apenas como algo a se fazer para marcar o ano, mas não percebem a oportunidade que aquilo representa.

Um ponto que atrapalha é o clima, claro. No imaginário de qualquer pessoa no mundo ocidental, o Natal se relaciona com frio, neve, um velhinho barbudo com roupa para enfrentar o inverno polar e talvez a família reunida em uma sala aquecida por uma lareira. É a imagem que vem do hemisfério norte e a absorvemos no Brasil, por maior que seja o sofrimento de qualquer pessoa que passa horas de calor por ter arranjado um bico de fim de ano como Papai Noel.

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Por isso, muitos brasileiros que gostam de Natal e têm maior poder aquisitivo aproveitam a segunda quinzena de dezembro para viajar a Nova York, Londres ou Orlando/Disney. Se for um profissional no turismo natalino, pode desbravar os mercados de Natal das Alemanha ou de Estrasburgo (França), considerado o melhor da Europa. Claro que o destino vale por si só, mas o clima natalino e a possibilidade de compras contribuem. Não à toa, há muita decoração e eventos culturais e até esportivos, além de investimento do comércio em receber esses consumidores que vêm de fora.

A Regent Street, em Londres, decorada para o Natal

A Regent Street, em Londres, decorada para o Natal

Nenhuma cidade brasileira concorre diretamente com essas por motivos óbvios, mas elas podem atrair o próprio brasileiro que não tem condição de atravessar o mundo. Isso já foi descoberto por cidades serranas como Gramado (RS), Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG), sobretudo pelo apelo da temperatura mais amena que a média do verão brasileiro. No entanto, as grandes cidades podem aproveitar isso. E São Paulo surgiria como uma das principais candidatas.

A capital paulista já ganhou destaque na última década pelas decorações natalinas, inclusive em edifícios residenciais. Já é comum moradores da periferia ou de outras cidades próximas a São Paulo irem até o Parque do Ibirapuera, à Avenida Paulista ou aos shoppings para verem as luzes. E isso nem sempre tem a ver com as pessoas que ficam passando de carro e tornando o trânsito mais lento.

A isso se soma o fato de São Paulo não ser um destino típico de verão, algo mais comum para o Réveillon, e ter um comércio muito forte. Mesmo que a pessoa queira passar o dia 24 e 25 de dezembro com a família, ela teria motivos para passar pela capital paulista em algum momento em dezembro para curtir esse clima e comprar presentes que talvez ela não encontre em sua cidade (ou encontre a preços mais altos).

Presépio no Conjunto Nacional, galeria na Avenida Paulista (Ubiratan Leal/Outra CIdade)

Presépio no Conjunto Nacional, galeria na Avenida Paulista (Ubiratan Leal/Outra CIdade)

De acordo com uma pesquisa da SP Turis, órgão que gere as políticas de turismo na cidade, 11% dos visitantes das atrações natalinas são de outras cidades e 13,3% dos paulistanos que estavam em alguma dessas atrações estavam hospedando parentes de outras cidades. São números interessantes, mas que poderiam ser ainda maiores.

A prefeitura divulgou a programação de Natal da cidade com várias atividades, mas falta a cidade se colocar mais abertamente como um dos grandes destinos natalinos do Brasil. Há condições para isso, desde que todos (sobretudo a população) veja o Natal como um dos grandes eventos do calendário da cidade e pare de reclamar um pouco do trânsito.

A luta dos fãs de Star Wars para reerguer o turismo em Tataouine

O que é? “Uma Nova Esperança” é o nome do quarto episódio da série Star Wars (ou Guerra nas Estrelas, como preferir), mas, para uma cidade tunisiana, também acompanha a sétima parte, com lançamento mundial previsto para este fim de semana. Tataouine tenta usar sua ligação com a saga do cinema como um dos elementos para reerguer a indústria do turismo na Tunísia, abalada desde a Primavera Árabe.

Terra de ninguém?

Tatooine é um planeta hostil, inóspito e que não foi feito para seres humanos. Aquecido por uma estrela binária, tem temperaturas que impedem o desenvolvimento de uma civilização mais tecnológica. Sua economia se baseia em algumas fazendas e minas, mas o fato de o Império praticamente não exercer seu poder nesse ponto isolado da galáxia tornou esse mundo um local sem lei, ideal para contrabandistas – e também para quem desejava se esconder.

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Apesar de os fãs mais fervorosos levarem tudo isso a sério, o enredo de Star Wars é ficção. Tatooine não existe, Luke Skywalker não foi se esconder na fazenda do tio e Jabba the Hutt não controla lugar algum. Mas a Tunísia ficou preocupada quando viram o que acontecia em Tataouine, cidade no sul do país em que as cenas de Tatooine foram gravadas e que serviu de inspiração no nome e na arquitetura do planeta inóspito.

Ksar, construção histórica em Tataouine que inspirou arquitetura de Tatooine

Ksar, construção histórica em Tataouine que inspirou arquitetura de Tatooine

Em comparação com outros países do Oriente Médio e do Magreb, a Tunísia teve relativo sucesso na transição política após a Primavera Árabe. No entanto, a província de Tataouine fica em uma posição delicada, na fronteira com a Argélia e a Líbia. Em março, três líbios foram presos e dois carregamentos de armas pesadas foram apreendidos na cidade de Tataouine e a CNN publicou uma reportagem sobre a possível presença do Estado Islâmico na região.

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O canal noticiou que o grupo utilizava o sul da Tunísia como passagem de terroristas e armamentos que iam do sul da Argélia para a Líbia (onde há bases de treinamento), além de servir de porta de entrada para ataques em solo tunisiano, como o que matou 23 pessoas no Museu Bardo, em Túnis, e o que matou 38 em um hotel em Sousse. Se desconsiderarmos os alienígenas, as naves espaciais e a existência de espadas de luz, é um cenário semelhante ao de Tatooine. O governo tunisiano negou a informação, afirmando que a região é fortemente vigiada e segura para visitantes.

A negativa foi rápida, até porque a região recebeu uma atenção especial da Tunísia nos últimos tempos. O turismo sempre foi uma fonte de renda importante para a economia tunisiana – cerca de 4% da população trabalha diretamente no setor, mas 20% de alguma forma depende dele – e, para promover o país, havia incentivo para produtores que quisessem gravar um filme na Tunísia. “Guerra nas Estrelas” é o caso mais famoso, mas vários outros filmes tiveram cenas realizadas no país africano, de “Caçadores da Arca Perdida” a “Vida de Brian”, passando por “O Paciente Inglês”.

Essa indústria teve queda acentuada após a Primavera Árabe e o governo tenta recuperar a imagem do país no exterior. Hollywood já havia deixado a Tunísia para trás, mas deixou um legado. Os cenários de Tatooine foram preservados e se transformaram em atração turística. Com a aproximação de um novo episódio da saga estelar, o Escritório Nacional do Turismo Tunisiano viu uma oportunidade.

Em 2014, o órgão entrou em contato com o fã-clube local de Star Wars e pediu um vídeo para promover uma das principais atrações de Tataouine. O resultado foi uma versão do clipe da música Happy, de Pharrell Williams, com pessoas fantasiadas de personagens do filme dançando no cenário em que ele foi gravado. Os “atores” são os próprios membros do fã-clube.

CINEMA E CIDADES: A cidade escancarada pelo filme “Que Horas Ela Volta?”

O cantor inglês não participou do vídeo, mas ajudou a divulgá-lo em suas redes sociais. Só no YouTube, a postagem original do clipe teve 2,3 milhões de visualizações. Qualquer resultado prático foi minado com os ataques terroristas deste ano, mas o lançamento de “O Despertar da Força” pode servir de novo incentivo para promover a cidade que inspirou o nome de um planeta no universo de George Lucas.

“Estamos tentando preservar os locais de filmagem de Tatooine para que os fãs futuros possam visitá-lo, o que é realmente importante para nós”
Mariem Oueslati Ameur, produtor da versão Star Wars de Happy

Nada de separar: metrópole dividida entre México e EUA quer integração

O que é? San Diego e Tijuana estão no extremo oeste da divisa entre Estados Unidos e México. As duas cidades formam uma mancha urbana que reúne quase 5 milhões de pessoas. É comum moradores de uma irem à outra para trabalhar, estudar ou resolver coisa do dia a dia. Uma viagem sempre demorada pelo fato de que, no meio do caminho, têm de passar por postos de imigração. Mas uma passarela permitirá uma maior integração entre os dois lados, facilitando aos residentes nos EUA acessarem o aeroporto do lado mexicano.

Soluções para uma metrópole binacional

Donald Trump tem sido o candidato mais caricato da campanha à presidência dos Estados Unidos. O empresário baseia sua candidatura a frases fortes e polêmicas, com tom que soa exageradamente conservador até para uma parte dos eleitores conservadores. Ainda assim, tem conseguido se manter como um dos concorrentes mais fortes do Partido Republicano. Um de seus alvos preferenciais são os imigrantes mexicanos, a ponto de se propor uma construção de um grande muro na fronteira entre os dois países. Mas uma passarela inaugurada na última quarta mostra como o caminho é integrar, não dividir.

CIDADES x FRONTEIRAS: Nem o Muro de Berlim impedia a passagem do metrô

Foi inaugurado na última quarta o Cross Border Xpress, o terminal de passageiros do aeroporto de Tijuana localizado em San Diego. É exatamente isso: uma parte das instalações de um aeroporto mexicano em território americano. Uma obra que os dois lados sabiam ser necessária, mas que levou mais de 25 anos para sair do papel.

Imagem de satélite da região metropolitana San Diego-Tijuana. A linha vermelha marca a fronteira (Google Earth/Outra Cidade)

Imagem de satélite da região metropolitana San Diego-Tijuana. A linha vermelha marca a fronteira (Google Earth/Outra Cidade)

O aeroporto General Abelardo L. Rodríguez está localizado na região nordeste de Tijuana, a apenas alguns metros da fronteira com os Estados Unidos. Ele é bastante útil para quem quer ir ao México, pois oferece voos para locais não ligados a cidades americanas e os preços de viagens domésticas das companhias aéreas mexicanas são muito competitivos.

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No Sul da Califórnia, é uma possibilidade particularmente atraente. Milhões de mexicanos ou americanos de origem mexicana vivem entre San Diego e Los Angeles e voltam regularmente para visitar a família no México durante as férias ou feriados importantes. Todas essas pessoas eram obrigadas a pegar voos nos Estados Unidos – pegando mais caro e/ou fazendo mais conexões – ou tinham de encarar o sempre demorado e tenso – às vezes, hostil – posto de imigração terrestre na fronteira.

Obs.: Há três pontos de passagem entre San Diego e Tijuana. O San Ysidro é o posto de imigração terrestre mais movimentado do mundo, com mais de 40 milhões de pessoas indo de um lado ao outro por ano. Filas quilométricas são comuns nos dias de grande movimento.

É isso que o Cross Border Xpress elimina. Há anos as prefeituras das duas cidades chegaram à conclusão que era necessário ampliar a integração urbana e econômica. O aeroporto era uma possibilidade óbvia, pois traria benefícios rápidos os dois lados da fronteira: San Diego aumenta sua competitividade como ponto de passagem para quem quer ir ao México e Tijuana vê aumento do movimento de seu aeroporto.

Vista aérea do Cross Border XPress, com a ponte passando sobre o muro da fronteira e o terminal do aeroporto em Tijuana à esquerda

Vista aérea do Cross Border XPress, com a ponte passando sobre o muro da fronteira e o terminal do aeroporto em Tijuana à esquerda

O funcionamento é simples. Um terminal de passageiros comum foi construído do lado americano da fronteira. O passageiro pode estacionar seu carro nos EUA ou ir de transporte público normal. Faz o check in ainda em solo americano e atravessa a fronteira por uma ponte que passa por cima do muro da fronteira. Aí, é só se direcionar aos portões de embarque do aeroporto de Tijuana.

É um passo pequeno ainda diante de toda a questão entre México e Estados Unidos. Mas a parceria entre San Diego e Tijuana mostra como a força das regiões metropolitanas é maior que um muro, e que entender cidades vizinhas como uma só, buscando soluções conjuntas, é fundamental para o desenvolvimento de ambas.

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