Qual a área da superfície de corpos celestes se comparados à Terra

Um dos desafios de quando se fala ou escreve de astronomia a não-especialistas é permitir que o ouvinte ou leitor consiga visualizar tudo aquilo que é tratado. Distância, massa, energia e dimensões muitas vezes são tão desproporcionais ao que estamos acostumados na Terra que é difícil realmente ter um parâmetro de comparação. Tanto que, para alguns casos, foram criadas unidades de medidas próprias, como UA (unidade astronômica), ano luz e parsec.

O tamanho de corpos celestes até são mais fáceis de dimensionar quando estão dentro da realidade da Terra. Ainda assim, a referência mais usada é o diâmetro e, convenhamos, o diâmetro da Terra não é um valor consagrado na cabeça das pessoas e nem sempre dá para ter uma noção clara. Por isso, o mapa acima é tão interessante.

O físico (e cartunista amador) Randall Munroe  colocou a área da superfície da Terra ao lado dos principais corpos rochosos do Sistema Solar (ou seja, nada de gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno, até porque não se sabe nem se eles têm superfície sólida). Aí dá para ter uma noção muito boa de como Vênus é quase do tamanho da Terra, que a Lua tem área semelhante à da África, que Mercúrio é um planeta do tamanho da Eurásia e que a Europa satélite de Júpiter é bem maior que a Europa continente da Terra (mas perto da América do Norte).

Se a imagem acima não estiver tão boa, clique aqui para ver melhor.

Um mapa que mostra a marca mais valiosa das principais economias do mundo

Qual a marca mais valiosa do mundo? De acordo com a Fortune, o Google ultrapassou a Apple nessa disputa em fevereiro. Essa é uma resposta relativamente fácil de encontrar, pois essa medição é feita periodicamente por veículos que cobrem economia e negócios. Mas qual é a marca mais valiosa de cada país? Qual a do Brasil? Petrobrás? Itaú? Bradesco? Rede Globo? Biscoitos Globo?

O site How Much responde a essa pergunta da melhor maneira possível: com um mapa. Eles utilizaram dados da Brand Finance para elaborar essa ilustração, com as dimensões geográficas dos países seguindo a proporção do valor de sua principal marca.

Os Estados Unidos (Google, claro) seriam o maior país do mundo, mas a China ficaria atrás dos vizinhos Coreia do Sul (Samsung) e Japão (Toyota). A Holanda (Shell) está na frente de França (Orange), Itália (Enichem) e Reino Unido (Vodafone). E o Brasil? Bem, o Itaú nos deixaria atrás do México (Pemex) como maior nação latino-americana.

Em relação a atividades econômicas, os bancos dominam, com oito empresas como maior marca de nações. Em seguida está o setor petrolífero/energia, com sete. A internet tem apenas um, nos EUA, mas isso é compreensível: a maior parte das potências da área são norte-americanas e ficam ofuscada pelo Google.

Abaixo está o mapa completo. Para ver em um tamanho maior, clique aqui.

Mapa_Marcas mundiais

Veja como era eficiente o sistema de transporte dentro do Império Romano

Ontem eu postei um mapa de estradas do Império Romano adaptado à linguagem de mapas de metrô. No caminho, mencionei como essa rede de vias era incrivelmente eficiente para os padrões da época. E um bom retrato disso é outra carta geográfica, mostrando quanto tempo uma pessoa levava para se deslocar de Roma a qualquer outro ponto do império.

O mapa acima é resultado de um trabalho espetacular do historiador Walter Scheidel, da equipe de programação liderada por Elijah Meeks e do geógrafo Karl Grossner, todos da Universidade de Stanford (EUA). Eles criaram o Orbis, o Modelo da Rede Geoespacial do Mundo Romano, uma ferramenta que mapeou 84,6 mil km de estradas, 28,3 mil km de rios e canais navegáveis e 1.026 rotas marítimas do Império Romano. Com isso, puderam calcular o tempo e o custo (em moeda da época) de viagem entre 632 locais dentro do território romano. É como um Waze dos tempos de Júlio César. Cliquem aqui e explorem à vontade.

Na imagem do alto da página, é calculado o tempo de deslocamento a partir de Roma no meio do verão (aqui uma versão mais completa). Cada faixa representa uma semana de viagem no modo mais rápido possível, seja por barco ou por terra. Pode parecer muito para os padrões de hoje, mas imagina ir de Roma à costa da Turquia em um universo em que não há motor e eletricidade. Tudo depende do vento e do esforço físico (humano ou do cavalo).

Para otimizar o tempo de deslocamento, os romanos criaram uma grande rede de transporte. Havia rotas marítimas regulares, em que o passageiro precisava apenas pagar a passagem e viajar. As estradas eram grandes obras de engenharia, e recebiam manutenção proporcional a sua importância. Esse sistema permitia a troca eficiente de mercadorias entre as regiões e, principalmente, garantiam a mobilidade dos militares, que podiam responder rapidamente ao chamado vindo de qualquer parte do Império.

E se as estradas do Império Romano fossem linhas de metrô?

Uma das grandes maravilhas do Império Romano era sua rede de transportes. Com estradas e rotas marítimas bem organizadas e definidas, viajar era uma atividade relativamente fácil para comerciantes, militares, trabalhadores em geral e até turistas. Essa facilidade de locomoção foi fundamental para dar robustez e um nível de organização econômica, política e cultural muito acima dos padrões da época.

Mas, e se fôssemos traduzir essa rede para a linguagem de hoje? Por exemplo, transformando o mapa de estradas em mapas do metrô. Foi o que fez Sasha Trubetskoy, um geógrafo que estuda na Universidade de Chicago. O resultado é sensacional, e ajuda a visualizar ainda melhor como funcionava esse emaranhado de vias.

O próprio autor conta que a pesquisa foi mais trabalhosa do que ele imaginava no início pela falta de informações consistentes em relação a algumas vias. Houve casos também de estradas sem nome histórico definido ou conhecido, que foram batizadas pelo geógrafo (aqui a lista dos nomes reais e dos criados).

Veja abaixo o mapa completo. Se quiser ver em maior tamanho, clique aqui (se não abrir, tente aqui). Ah, e se quiser fazer um pôster dessa imagem, o Sasha manda o PDF em alta resolução por US$ 9.

Estradas romanas em estilo de mapa de metrô (Sasha Trubetskoy)
Estradas romanas em estilo de mapa de metrô (Sasha Trubetskoy)

O mapa-raspadinha é uma ideia genial para quem gosta de viajar, e ainda está em promoção

A raspadinha parece uma ideia interessante: é uma loteria que permite ao apostador conhecer o resultado imediatamente e até levar um eventual prêmio na hora (dependendo do valor). Basta comprar o cartão e raspar. Mas, convenhamos, a injeção de adrenalina é tão curta que nem dá para se divertir um pouco e os valores, mesmo os mais generosos, não chegam a transformar alguém em milionário. 

Muito mais legal é o mapa-raspadinha, oficialmente chamado Globetrotter World Map, desenvolvido pela Wanderland. Essa maravilha permite que você coloque o mapa-mundi onde quiser e vá raspando os países (ou estados, no caso de Estados Unidos e Canadá) que já visitou. Quer dizer, essa é a proposta, mas você pode ser subversivo e raspar as nações com o critério que quiser, como seleções já classificadas para a próxima Copa do Mundo, lugares que têm maioria cristã ou, sei lá, regiões que compunham o Império Britânico no seu auge.

Essa maravilha está à venda na internet por um preço de catálogo de R$ 188. No entanto, a empresa fez uma promoção nesta semana, vendendo por metade do preço e sem o frete. Ótimo!

O prazo anunciado para esta liquidação já se esgotou, mas o site da Wanderland dá algumas horas extras sempre que a contagem regressiva zera. Então, vá correndo e veja se ainda consegue pegar um. O Dia das Mães está chegando (não sei se sua mãe gostaria disso, mas você pode usar esse argumento cínico e egoísta para gastar dinheiro em si próprio).

Dica do leitor Rodrigo Borges

Sobre o que fala o hino de cada país? Fizeram um mapa genial com a resposta

Hinos de países parecem girar sempre em torno dos mesmos temas. Engrandecer a nação, falar da história do povo, mencionar alguma guerra de independência, dizer que seus filhos lutarão pela pátria, qualquer coisa assim. Sempre com um ritmo pomposo, entre o quase militar e o totalmente militar.

Dou essa cornetada porque adoro hinos. Os favoritos da casa são os de França, Portugal e Afeganistão. O do Brasil é legal também, apesar da letra parnasiana incompreensível para uma pessoa normal, como o da Itália e o da Alemanha. E, bem, se você acha que todos eles são iguais, o usuário SwiftOryx do Reddit mostra que não é bem assim.

Ele fez um mapa sensacional, separando os países por temas de seus hinos nacionais. Os que falam da nação são a maioria, seguido pelos que falam de alguma batalha e os que exaltam algum personagem. Motes de menos destaque são a bandeira (Albânia, Estados Unidos, Somália, Suíça e Turquia), idioma (Moldávia) e amizade (Eslovênia). Ah, e ainda sobram Espanha e Bósnia-Herzegovina, únicos países cujos hinos não têm letra.

Confira abaixo. Para ver uma versão maior, clique aqui.

Mapa com países coloridos por tema de seu hino
Mapa com países coloridos por tema de seu hino

Quem precisa de Google quando dá para mapear TODA a internet? Em 1973, dava

A internet se chama de “rede” (net) e “teia” (web), mas obviamente essas duas metáforas estão longe de ilustrar o que se tornou essa ferramenta. É tanto conteúdo – ainda que parte dele seja descartável – que se localizar no meio da confusão é difícil. O Google está aí para isso, mas muitas vezes ele não dá conta do serviço.

Mas, no comecinho de sua história, era muito mais fácil. Nada de site de buscas: o negócio era mapear a internet. Sim, mapear, ela inteirinha. Recentemente, o desenvolvedor David Newbury compartilhou em seu perfil no Twitter uma imagem com toda a internet mundial, quando ainda se chamava Arpa Network.

Mapa de toda a internet em 1973 (David Newbury / Twitter)
Mapa de toda a internet em 1973 (David Newbury / Twitter)

A Rede da Agência de Pesquisas em Projetos Avançados (Arpanet na sigla em inglês) foi uma rede operacional de computadores criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos no final da década de 1960. No início, era uma ferramenta que permitia a comunicação entre diversas unidades das Forças Armadas, sem um comando central (tornando as informações menos vulneráveis a eventuais ataques soviéticos).

No início da década de 1970, universidades que prestavam serviços ao Departamento de Defesa passaram a ter acesso à rede. As quatro primeiras foram UCSB (Universidade da Califórnia-Santa Bárbara), Stanford, UCLA (Universidade da Califórnia-Los Angeles) e Universidade de Utah.

Quando o mapa acima foi feito, outras instituições haviam entrado. Caso da Carnegie Mellon, onde trabalhava Paul Newsbury, que guardou o mapa histórico e presenteou seu filho David, que usou a antiga Arpanet para postar o desenho em uma rede social com mensagens limitadas a 140 toques.

Favorito à eleição presidencial da França não sabe bem o que é a segunda maior região do país

Emmanuel Macron é o nome mais forte na corrida presidencial francesa. O líder do En Marche! (assim mesmo, com exclamação), partido de centro, luta ponto a ponto com Marine Le Pen nas pesquisas para o primeiro turno, programado para 23 de abril, mas tem folga considerável nas projeções para o segundo (varia entre 60 e 64%). Por isso, a chance de o ex-funcionário público e diretor de um banco de investimentos comandar a França é grande. Mas ele precisará estudar um pouco geografia.

Nas últimas semanas, a Guiana Francesa tem sido palco de diversas greves e manifestações devido aos problemas econômicos e à alta taxa de criminalidade da região. A paralisação de trabalhadores tem prejudicado diversos serviços, o que motivou Macron a se pronunciar (vídeo abaixo, em francês): “O que está acontecendo na Guiana Francesa nos últimos dias é sério. Minha primeira resposta é pedir por calma, porque bloquear as pistas e as decolagens do aeroporto – e às vezes até bloqueando o funcionamento da própria ilha – não é a resposta para a situação”.

 

Ilha? Ilha? Como qualquer região ultramarina, a Guiana Francesa tem o mesmo status de qualquer parte do território principal da França (sim, a França faz fronteira com o Amapá). Por área, é a segunda maior região do país, atrás apenas da Nova-Aquitânia, e seus cidadãos têm direito a voto como qualquer parisiense. São credenciais suficientes para receber um pouco mais de atenção do candidato, ainda mais quando ele está fazendo campanha por regiões ultramarina, o que ocorria no momento da entrevista.

Mas, se considerar o que o último vencedor da eleição presidencial francesa fez, Macron pode estar no caminho certo. Afinal, François Hollande, atual chefe de estado da França, já confundiu o Japão com a China e o Egito com a Tunísia em pronunciamentos.

Adotar o mapa descolonizado vale pela intenção, mas também não é a solução ideal

O mapa é mais do que uma ilustração da superfície de um lugar, ele é a própria imagem que fazemos desse lugar. Pode parecer uma diferença sutil, mas não é. Isso embute uma série de conceitos na nossa cabeça, desde orientação geográfica até a forma de visualizar acontecimentos históricos ou a realidade social. Foi com base nisso que Hayden Frederick-Clarke, professor de competências culturais de educação de Boston, decidiu trocar os mapas mundi das escolas públicas da cidade.

Como é comum em vários lugares, incluindo o Brasil, as salas de aula de Boston adotavam o mapa com a projeção Mercator. Ela foi criada em 1569 para a navegação, mas se tornou uma das mais conhecidas e acabou consagrada por ser de fácil visualização. O problema é que ela distorce loucamente a área de territórios localizados em latitudes altas.

Mapa político na projeção Mercator
Mapa político na projeção Mercator

Desse modo, a Mercator apresenta a América do Norte, a Rússia e a Europa muito maiores do que realmente são na comparação com locais próximos ao Equador, como América Latina, África e Sul da Ásia. Por exemplo, a Groenlândia parece maior que a América do Sul, quando, na verdade, ela tem apenas 12,2% da área do continente. Por isso, essa versão de mapa mundi foi considerada muito eurocêntrica e colonialista, privilegiando, ainda que sem ter esse objetivo inicial, os países desenvolvidos.

LEIA MAIS: Um site para você não se enganar com as distorções da projeção Mercator

Entre as diversas projeções do planeta já criadas, a Gall-Peters teve como objetivo justamente corrigir distorções na área. Assim, ela apresenta cada continente, cada país, com a proporção correta de sua área, mostrando como países latino-americanos e africanos são realmente grandes (veja acima um mapa Gall-Peters com traços da Mercator em cima). E foi o mapa escolhido pela rede de ensino de Boston.

A intenção é boa e a mensagem é bastante válida. Mas a adoção dessa medida precisa vir acompanhado de aviso sobre os princípios desse mapa. Para igualar a proporção da área em cada parte do globo, a projeção Gall-Peters achata os territórios próximos aos polos e estica na região do Equador. Veja como fica na ilustração abaixo:

Ilustração mostrando as distorções da projeção Gall-Peters
Ilustração mostrando as distorções da projeção Gall-Peters

Em princípio, isso não chega a ser muito problemático. Mas, em um mapa com as divisões políticas, há óbvias distorções no desenho de cada país.

Mapa mundi na projeção Gall-Peters com a divisão política
Mapa mundi na projeção Gall-Peters com a divisão política

O Brasil é um dos melhores exemplos desse problema. O país aparece bastante alto e relativamente magro, sendo que, na verdade, a distância entre os pontos extremos leste-oeste (4.394 km) é ligeiramente maior do que a norte-sul (4.319). E é possível interpretar que uma imagem de um Brasil “alto” favorece a visão de que o eixo de desenvolvimento do país precisa ser nesse sentido, seguindo a costa, sem tanta necessidade de se preocupar com o interior (sobretudo regiões Norte e Centro-Oeste).

Além disso, outro problema dessa projeção é que, se usada para visualizar apenas as nações, ela simplesmente mostra um desenhos bastante errado. No final das contas, é uma informação incorreta também, e isso tem de ser considerado pelo professor ou por quem for usar o mapa para ensinar ou explicar algo.

Solução? Não há nenhuma perfeita. Todas as projeções de mapas têm algum nível de distorção, simplesmente porque não é possível passar a superfície de uma esfera para um plano sem fazer adaptações. Cada amante de mapa gosta mais de uma versão, e há quem considere que isso até diz muito sobre a personalidade de cada um. Eu gosto da Winkel-Tripel.

A evolução do mapa mundi ano a ano desde o surgimento da humanidade

Timelapses com a evolução de mapas de um determinado local estão entre as maiores invenções da humanidade. Dá para visualizar como vários Estados surgiam, cresciam, se desenvolviam em paralelo e, em alguns casos, começavam a brigar por espaço. Ainda que sejam só pedaços da história (a ocupação geográfica), eles ajudam demais a entender a evolução de povos e nações.

O canal do YouTube Ollie Bye é composto basicamente por vídeos assim. A obra-prima deles é esse vídeo abaixo, com a evolução do mapa mundi desde o surgimento do primeiro ser humano e avançando ano a ano a partir da primeira civilização. Muitas informações contidas ali são suposições ou aproximações dentro do que se conhece atualmente (ou seja, confirme os dados com outras fontes se for fazer uso científico), mas já é legal demais.