Brexit: veja o tamanho da encrenca na negociação da fronteira das Irlandas

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Um dos problemas mais delicados das negociações do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, é a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte. Durante décadas foi uma região quente, pois comunidades católicas e protestantes travaram diversos conflitos sobre a situação norte-irlandesa (se deve se unir à Irlanda ou seguir no Reino Unido).

LEIA MAIS: Brexit cria apreensão na cidade que sofreu Bloody Sunday de 1972

A União Europeia foi importante para esfriar os ânimos, pois as fronteiras se abriram e ser formalmente parte da Irlanda ou do Reino Unido deixou de ser tão importante assim. Até que os ingleses decidiram separar o país do resto da Europa, fazendo que a fronteira das Irlandas volte a ter uma função prática.

Veja no mapa abaixo (ou clique aqui para ver maior) quantos pontos de passagem estão abertos e deverão ser fechados para checagem de imigração de cada pessoa que atravesse essa linha. Não é pouco, tanto que há quem defenda que a negociação do Brexit adote um modelo que preserve o livre trânsito entre as Irlandas.

Mapa da Irlanda do Norte com destaque (em X) para os pontos de passagem na fronteira com a Irlanda (Assembleia da Irlanda do Norte)
Mapa da Irlanda do Norte com destaque (em X) para os pontos de passagem na fronteira com a Irlanda (Assembleia da Irlanda do Norte)

Como São Paulo podia ser uma cidade incrível se aproveitasse sua natureza

Ilustração com flora da cidade de São Paulo na época de sua fundação e nomes dos bairros atuais (Leandro Lopes de Souza)
Ilustração com flora da cidade de São Paulo na época de sua fundação e nomes dos bairros atuais (Leandro Lopes de Souza)

São Paulo é a cidade austera, cinza, construída. Há uma beleza nela, mas – salvo alguns pontos no mapa – tem pouco a ver com a natureza e o verde. Poderia ser muito diferente.

Um estudo do botânico Ricardo Cardim, em parceria com o ilustrador Leandro Lopes de Souza, traz um retrato de como era, no século 15, a fauna e a flora da região em que está a capital paulista. Um ecótono, local de confluência de biomas diferentes, que reunia floresta tropical, cerrado e até pântano.

A BBC Brasil fez uma boa reportagem sobre isso. Confiram aqui.

Quais as maiores metrópoles do mundo a cada ano? Esse vídeo mostra

Durante anos, nos acostumamos a uma certa ideia de que Tóquio é a maior metrópole do mundo e que Cidade do México, Nova York, Xangai e São Paulo também estão no topo dessa disputa. Mas o ranking de maiores cidades do mundo é bastante móvel, refletindo o momento econômico e social de nações ao longo da história.

Nesta primeira metade do século 21, por exemplo, o momento é de crescimento acentuado da Ásia, ainda mais com o desenvolvimento constante de China e Índia, e da África. E uma boa forma de ver isso é com o vídeo abaixo, do canal Wawamu Stats. 

É possível ver ano a ano, de 1950 até 2019 e projeções das Nações Unidas até 2035. Muito legal.

A disputa entre Catar e seus vizinhos árabes chegou ao futebol

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Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes e Iraque romperam relações com o Catar em junho de 2017. Essa decisão é reflexo da disputa entre sauditas e iranianos pela influência na região, um conflito em que o Catar ficava estrategicamente em cima do muro (o que acabou incomodando alguns dos vizinhos). Por isso, era de se esperar problemas quando catarianos tivessem de viajar aos Emirados Árabes, mesmo que fossem para competições esportivas. Foi o que aconteceu.

Contei essa história na Trivela. Confira.

Canadá muda o hino em favor da igualdade de gênero

Duas palavras, apenas duas palavras, e demorou quase três décadas para mudá-las. Nesta quarta (dia 31), o senado canadense aprovou uma alteração na letra em inglês de “Oh, Canadá”, o hino oficial do país desde 1980, quando substituiu o “God Save de Queen” do Reino Unido. O objetivo é tornar a música neutra em relação a gênero.

A mudança é realmente pequena. As três primeiras estrofes do hino são “O Canada! / Our home and native land! / True patriot love in all thy sons command” (“Oh, Canadá! / Nossa casa e terra nativa! / O verdadeiro amor patriótico em todos seus filhos comanda”). A questão é justamente o “thy sons” (“seus filhos”), uma referência restrita a homens.

Em português, “filhos” pode se referir a filhos homens ou a filhos homens e filhas mulheres misturados. Em inglês, “sons” serve só para homens. Se fossem filhos e filhas, seria “sons and daughters” ou “children”.

Por isso, surgiu a ideia de trocar “thy sons” por “of us”, deixando a estrofe “O verdadeiro amor patriótico em todos nós comanda”. Isso foi colocado em discussão pela primeira vez em junho de 1990, quando a Câmara de Toronto recomendou a troca ao governo canadense, assim como a mudança de “Our home and native land” (Nossa casa e terra nativa) por “Our home and cherished land” (Nossa casa e terra amada) para incluir também os estrangeiros que moram no Canadá e os canadenses que nasceram em outros países.

O assunto voltou ao debate em 2002 e em 2010, mas uma pesquisa mostrou que a maior parte da população era contra a mudança e o assunto esfriou. Até que, em 2016, um senador apresentou um projeto de lei defendendo a alteração. O texto passou por todas as instâncias até a última quarta, quando passou pelo Senado.


Hino canadense antes da alteração

Isso não significa que o hino já tenha oficialmente mudado. Ainda é necessária a aprovação da governadora-geral Julie Payette, uma espécie de representante da coroa britânica para o Canadá. Trata-se de uma formalidade, pois seu cargo é mais cerimonial do que executivo, mas ela precisa assinar a lei e estabelecer um dia para que ela entre em vigor.

Por fim, um detalhe importante. A discussão toda se refere apenas ao hino oficial em inglês. A letra em francês – que, diga-se, foi composta dez anos antes da versão inglesa – tem conteúdo bastante diferente, não cria conflito de gênero e, por isso, segue inalterada. As primeiras estrofes, por exemplo, são “Ô Canada! / Terre de nos aïeux, / Ton front est ceint de fleurons glorieux!” (“Ó, Canadá! / Terra dos nossos ancestrais, / Vossa testa está adornada com os louros mais gloriosos!”).

Nevou no Deserto do Saara, um fenômeno que está se tornando corriqueiro

As imagens são surpreendentes e até fazem parecer que é notícia falsa. Mas não é. No último dia 7, nevou em uma parte do Deserto do Saara, que viu suas dunas alaranjadas de areia ficarem brancas. Um fenômeno que ainda pode ser considerado raro, mas vem se tornando mais frequente nos últimos anos.

A neve caiu perto da cidade argelina de Aïn Séfra, localizada em um trecho da cordilheira do Atlas, no extremo norte do Saara. Não à toa, um dos apelidos da cidade é “Porta de Entrada do Deserto”. 

Ainda que a temperatura ultrapasse os 40ºC no verão, já se registrou -10,2ºC no inverno. O maior obstáculo às neves não é a temperatura em si, mas a falta de umidade. Ainda assim, nevou na região quatro vezes nos últimos seis anos, incluindo em 2017. No vídeo abaixo, é possível ver a cobertura da TV argelina (vídeo com trechos em francês e em árabe) para uma nevasca em 2012.

A neve não durou muito e derreteu ao longo do dia. Ainda assim, foi captada pelos satélites da Nasa, que fotografaram o deserto com as inusitadas manchas brancas –sobretudo nos picos — no meio do mar de areia.

Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)
Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)

VÍDEO: Qual a extensão do incêndio na Califórnia? Bem, ele fez Los Angeles parecer Mordor

Os californianos estão cada vez mais acostumados em lidar com incêndios na mata. O tempo seco e os ventos são um ambiente propício para a propagação das chamas, que muitas vezes chegam a regiões habitadas e causam mortes e forçam o deslocamento de pessoas. É o que está acontecendo nesta semana, com o fogo se aproximando de Los Angeles e criando imagens quase cinematográficas.

Veja esse vídeo feito por um angelino que estava na Interstate 405, uma das principais vias expressas da Grande LA, indo ao trabalho. Parece que ele está indo para Mordor fazer uma reunião de negócios com Sauron.

A cena é assustadora e perigosa, tanto que a via foi interditada nesse trecho. Em teoria, uma grande via como essa pode funcionar como uma barreira para as chamas e impedir o avanço do incêndio. No entanto, se o vento estiver forte demais, o fogo pode atravessar a pista e ser reiniciado do outro lado.

A melhor forma de ver gols de um Equador x Peru no Atahualpa: em quéchua

A seleção peruana de futebol vive um grande momento nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Na última semana, venceu os vizinhos Bolívia e Equador e subiu para a quarta posição do grupo sul-americano. Se a classificação se confirmar, seria a primeira desde 1982.

E que forma de sentir a emoção dos peruanos do que ouvir a narração dos gols contra o Equador no idioma comum a ambos os países? Não, não me refiro ao espanhol, mas ao quéchua, oficial no Peru e na Bolívia e “de uso oficial para povos indígenas” no Equador. Nada mais adequado para uma partida que foi disputada no estádio Olímpico Atahualpa, cujo nome homenageia o último imperador inca (o quéchua era o idioma do império).

Uma bela curiosidade linguística. Dica da comunidade secreta do Facebook para colaboradores do podcast Xadrez Verbal.

Como entrar nos Estados Unidos sem passar pela imigração – e nem infringir a lei

Juntar documentação, pagar uma taxa salgada, pedir o visto, passar por uma entrevista, conseguir o visto, pagar uma passagem aérea (ou ficar dias na estrada ou em um navio) e passar pela imigração no aeroporto ou na fronteira, com nova entrevista e eventual vistoria. Entrar em território norte-americano não é fácil para um estrangeiro. Mesmo para quem seja de algum país que dispense visto, ainda terá de passar por alguns desses processos e correr o risco de ser barrado.

Mas há uma maneira de entrar nos EUA sem passar por nenhum desses trâmites. Não que se possa fazer muita coisa com isso, mas vale mais pela curiosidade e pelo eventual fetiche que alguém pode ter apenas em pisar em território americano.

A fronteira americana é completamente aberta em um ponto: Hyder, uma cidade de 87 (sim, oitenta e sete. Não há erro de digitação) habitantes na fronteira entre o Alasca e o estado de Colúmbia Britânica, no Canadá. O melhor acesso à vila é por terra, e qualquer um que vier pela estrada terá passagem livre, sem inspeção de documentação ou do veículo.

Localização de Hyder na fronteira entre o Alasca e o Canadá (Reprodução)
Localização de Hyder na fronteira entre o Alasca e o Canadá (Reprodução)

Essa abertura ocorre por uma questão prática. O governo americano mantinha um posto de imigração na cidade até a década de 1950. No entanto, o gasto era desproporcional para uma fronteira pouco usada e de pouco risco.

O acesso por terra é pela rodovia 37A, que vem de Stewart, Canadá. Depois de passar por Hyder, a estrada se transforma na NFD 88, uma via que segue pela floresta (NFD é “National Forest Development”) em direção ao norte e depois retorna ao território canadense, para as minas Premier (ouro, já desativada) e Granduc (cobre). Ou seja, Hyder está ilhada do resto dos Estados Unidos e sua única comunicação por terra é com o Canadá.

Detalhe mostrando o acesso de Stewart, Canadá, a Hyder, EUA (Reprodução)
Detalhe mostrando o acesso de Stewart, Canadá, a Hyder, EUA (Reprodução)

Essa característica sempre fez Hyder depender muito de suas vizinhas canadenses, tanto que seu auge foi na época de funcionamento da mina Premier. Da mesma forma, o isolamento dá ao governo norte-americano a garantia que um imigrante não entrará ilegalmente no país por esta fronteira.

Toda a comunicação de Hyder com o resto dos EUA se dá por avião, com voos periódicos para Ketchikan, cidade mais próxima (distância de 102 km de florestas, montanhas e mar) e ponto de partida para o resto do Alasca. É nessa conexão que ocorre toda a vistoria de estrangeiros.

Todo avião que chega de Hyder é tratado como voo internacional no aeroporto de Ketchikan e seus passageiros estão sujeitos à vistoria das autoridades norte-americanas. Ou seja, até dá para entrar nos EUA sem passar pela imigração, desde que a pessoa se contente em ficar em uma cidade de menos de 100 habitantes.

Veja como será o túnel que fará parte da ligação de Porto Alegre ao Oceano Pacífico

Serão 14 km por baixo dos Andes, a um custo estimado de US$ 1,5 bilhão em um trabalho que deve demorar de oito a dez anos. O túnel Água Negra será o maior da América Latina e, antes mesmo de sair do papel, já chama a atenção pelo seu gigantismo.

Neste mês, o Ministério de Obras Públicas do Chile divulgou um novo vídeo com detalhes técnicos do projeto da via subterrânea que ligará a cidade de San Juan, Argentina, ao porto chileno de Coquimbo. Vale a pena dar uma olhada:

O túnel substituirá o Paso de Agua Negra, uma das 13 passagens que ligam o Chile à Argentina pelos Andes. O problema é que essa estrada chega a mais de 4,7 mil metros de altitude e, durante o inverno, fica fechada devido à neve. A obra bilionária evitará esses trechos mais altos, mas cria uma grande exigência de ventilação, operação viária e de segurança, circulação e até de proteção contra atividades sísmicas.

Será apenas a segunda passagem subterrânea na fronteira chileno-argentina. A primeira é o túnel Cristo Redentor, utilizado na ligação entre Santiago e Mendoza.

Quando estiver pronto, o Agua Negra fará parte do Corredor Bioceânico Central, uma rota que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico atravessando o Cone Sul, começando em Porto Alegre e chegando a Coquimbo. O objetivo é aumentar a capacidade de movimentação de pessoas e produtos em uma das áreas mais produtivas da América do Sul.