Os diferentes sistemas de cruzamentos e a capacidade de tráfego de cada um

Cruzamentos parecem simples. Em princípio, basta colocar um semáforo no meio para condicionar quando o carro vindo de cada via deve passar. Mas acrescente pistas duplas, três ou quatro faixas e um fluxo muito maior de veículos para a coisa ficar bem mais complicada.

O vídeo abaixo mostra os diferentes tipos de cruzamentos e a capacidade de fluxo de cada um. Claro, quanto mais carros eles comportam, mais espaço e mais dinheiro o complexo viário demanda. 

Por fim, importante lembrar, muitos desses sistemas não consideram a presença dos pedestres, reforçando que alguns foram projetados para interseções com pouquíssimo fluxo de pessoas a pé (como em rodovias) e não são recomendados para áreas urbanas. 

Nem a destruição da Guerra da Síria impediu Homs de celebrar o Natal

Homs era a terceira maior cidade da Síria no início da década, com mais de 800 mil habitantes. Até que ela se tornou um ponto estratégico na Guerra da Síria em 2011. Dominada pela oposição do governo de Bashar al-Assad, ela foi cercada e se tornou cenário das mais diversas cenas de barbárie. Isso seguiu até dezembro de 2015, com a rendição do que restava das forças de oposição a Assad.

VEJA TAMBÉM: Quando ingleses e americanos ficaram décadas proibidos de celebrar o Natal

Dois anos depois, a vida está longe de voltar ao normal. A população da cidade é estimada em apenas 200 mil e quase tudo tem de ser reconstruído, de edificações à infraestrutura básica (a energia elétrica ainda depende de geradores). Mas isso não impediu os cristãos locais — cerca de 30% da população até a guerra — se unissem aos muçulmanos para celebrar o Natal.

Então, fiquem hoje com o vídeo do canal alemão Deutsche Welle com o acendimento da árvore de Natal no centro de Homs. Ela diz muito sobre o que essa data representa, independentemente de crença religiosa.

Cities Quiz voltou em alta: identificar cidades por mapas antigos

Depois de meses parada, a seção Cities Quiz voltou a sempre obrigatório Guardian Cities, a página de urbanismo do jornal inglês Guardian. E voltaram chutando a porta e falando alto. Afinal, há poucos temas melhores do que a identificação de cidades por seus mapas antigos. Fiz 8 de 10. Vá lá e tente também.

Liga de hóquei no gelo tenta influenciar resultado de eleição municipal. E se dá mal

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Times profissionais pressionarem a prefeitura de sua cidade para construir uma nova arena, toda ou quase toda com dinheiro público, não é novidade nos Estados Unidos e no Canadá. Mas o Calgary Flames e a NHL, liga de hóquei no gelo, levaram essa prática a um novo patamar. Ambos pediram para a população votar contra o prefeito Naheed Nenshi na campanha pela reeleição. Contei essa história aqui.

O que a nova música de Chico Buarque ensina sobre a relação centro-periferia

Já faz uns meses que não faço mais a seção de música de cidades (falta de tempo, era algo deliciosamente trabalhoso fazer), mas fica uma dica aqui. O amigo e colega Rodrigo Ratier, editor da Nova Escola, mostra com detalhes como é possível aprender sobre a relação centro-periferia (o cenário é o Rio, mas serve para vários lugares, até o Oriente Médio) a partir da música “As Caravanas”, de Chico Buarque.

O texto é voltado a professores, explicando como aplicar esse conteúdo em uma sala de aula. Mas o texto é válido para qualquer um. Clique aqui, eu recomendo.

A música de quando Barcelona e o mundo se conheceram

É fácil entender qual interesse de um terrorista ao escolher Barcelona para realizar um atentado. É uma das cidades mais famosas e turísticas do mundo, e qualquer ação teria uma repercussão muito maior do que se fosse em outro lugar. Foi o que aconteceu nesta quinta, quando uma van avançou pelas Ramblas (calçadão mais movimentado da capital catalã), matando 13 pessoas, vindas de nove países diferentes.

Nesse momento de dor, é bom lembrar como Barcelona e o mundo estão conectados e de quando essa relação começou. Foi nos Jogos Olímpicos de 1992, e essa amizade entre o planeta e os barceloneses já foi tema de um texto nosso, ainda na época do Outra Cidade. Vale dar uma relida.

Os Jogos Olímpicos são – coisa rara – uma boa para Los Angeles. Ainda mais em 2028

Os Jogos Olímpicos se transformaram em um mico para a maior parte das cidades que pretendem recebê-los, como o Rio de Janeiro (e Atenas, Sydney, Sochi, Pequim… sabem bem). Ainda assim, Paris e Los Angeles encheram a boca nas últimas semanas para anunciarem que foram oficializadas como anfitriãs, pela ordem, das edições de 2024 e 2028.

Expliquei isso na minha coluna desta semana no General Managers. Confira lá!

Cortar verba do Carnaval é sinal de incompreensão do papel da gestão pública na economia

Tirar dinheiro de uma área não essencial, potencialmente autossustentável, para colocar nas creches. Difícil não concordar com isso batendo o olho de primeira na notícia, mas os detalhes mostram como a situação não é tão simples assim. O que torna a ideia da prefeitura do Rio de Janeiro de cortar 50% dos R$ 26 milhões repassados às escolas de samba para o Carnaval de 2018 em um equívoco, mesmo que seja para ajudar nas verbas da pré-escola.

A gestão pública ainda é vista por muita gente como pegar o dinheiro dos impostos e distribuir para as diversas ações custeadas pelo governo. Bota uma parcela na educação, uma outra na segurança, e na infraestrutura, e na saúde, e nos gastos de gabinete dos parlamentares… Nesse sentido, tirar dinheiro de escola de samba e colocar em creche está correto.

Mas o gestor, qualquer que seja o nível, precisa também mover a economia de sua área. Isso gera empregos, gera investimentos e gera até arrecadação de impostos. No caso do Rio de Janeiro de Marcelo Crivella, o turismo é um dos setores mais importantes, sobretudo no Carnaval. Assim, os recursos colocados no desfile de escolas de samba (por maior que seja o carinho dos crescentes blocos de rua, o grande atrativo para o turista, sobretudo o estrangeiro, ainda é a Sapucaí) dão retorno. Não é tirar dinheiro das creches, é ajudar a chegar mais.

O problema é que esse tipo de retorno é muito diluído: uma parte vem na indústria hoteleira, outra na de bares e restaurantes, outra no comércio… Cada loja, cada hotel, cada bar fica com um pouco disso e o benefício à cidade se vê na soma de tudo. É difícil criar um modelo de privatização ou de concessão disso. O poder público precisa, de alguma forma, participar. Isso ocorre em todo o mundo, até nos Estados Unidos, onde governos municipais e estaduais bancam a construção de estádios esportivos para ter uma equipe profissional na cidade.

É a mesma lógica, aliás, que torna os gastos no autódromo de Interlagos em algo válido para São Paulo, pois a Fórmula 1 traz muito dinheiro à capital paulista.

Isso não significa que Crivella não possa discutir a forma como o dinheiro é repassado às escolas de samba. Por exemplo, a prefeitura poderia – e deveria – estabelecer mecanismos de controles para ter certeza que essa verba será bem utilizada. O município também pode estabelecer um debate para que as escolas de samba criem novas fontes de renda e sejam mais atrativas para investidores ou patrocinadores, até que se tornem autossustentáveis.

O Carnaval de 2018 já está em pleno andamento em várias escolas, talvez todas. A prefeitura afirmou que “estuda o desenvolvimento de mecanismos para que sejam captados investimentos da iniciativa privada”, mas a verdade é que não há tempo de fazer isso já para o ano que vem sem que se afete os preparativos.

A crise econômica é forte no Brasil, e o Rio de Janeiro tem sido uma das cidades que mais têm sentido isso por causa da situação do governo municipal e do estadual. E precisará de inteligência e incentivo à economia para sair disso, não fazer o orçamento como se o único objetivo fosse pagar conta.

Veja a construção do mais novo arranha céu de Nova York em apenas um minuto

O grande centro da construção de arranha céus no mundo é a Ásia. Países como Catar, Emirados Árabes, Taiwan, China e Japão lançam projetos cada vez mais espetaculares e mais altos, e acabam até ofuscando o movimento em outros lugares. Caso de Nova York. Tirando o One World Trade Center, construído no local do antigo WTC, não se fala tanto dos novos edifícios altos da maior metrópole dos EUA. Mas eles continuam sendo lançados. Caso do 56 Leonard St. (o nome do edifício é seu endereço, algo comum em NY).

O prédio residencial foi entregue em 2016 e tem 250 metros de altura, o que o torna a 18ª estrutura mais alta de NY – e a primeira no bairro de Tribeca. O projeto previu apenas 57 andares para permitir o conforto de um pé direito alto para cada unidade. Algo compreensivo, considerando que os apartamentos custaram de US$ 3,5 a 50 milhões.

Nesta semana, a incorporadora Alexico, responsável pelo empreendimento, divulgou um vídeo mostrando a construção do 56 Leonard St. resumida em um minuto. É lindo e hipnótico.

Franqueado fica irritado com a 7-Eleven e cria a 6-Twelve

As ruas de Boston ganharam uma nova loja de conveniência. Bem onde havia uma unidade da 7-Eleven na rua East Broadway, abriu um estabelecimento com o curioso nome de 6-Twelve. Não precisa ser um gênio para imaginar que o nome representa um ataque à multinacional. Mas o curioso é que a história por trás dessa disputa está justamente um franqueado amargurado com o tratamento que recebeu da grande rede.

Abu Musa abriu uma 7-Eleven em 2005. Após alguns anos, percebeu que a venda de cachorros quentes e taquitos era muito baixa e ele tinha prejuízo com esses dois produtos. Ele queria parar de vendê-los, mas a direção da rede proibiu. Para piorar, a franqueadora o obrigou a vender também pizza e asinhas de frango e a contratar mais um funcionário para a área de comidas quentes contra a vontade do franqueado.

A relação ruiu e Musa decidiu ir à Justiça. No final, as duas partes chegaram a um acordo e o contrato de franquia foi rompido. Mas o empresário não desistiu de trabalhar na área e resolveu abrir uma outra loja de conveniência, sem comidas quentes (claro).

O nome foi uma cutucada na 7-Eleven: 6-Twelve. E, para que o nome tenha sentido, ele manteve o padrão de seu antigo parceiro. Se a 7-Eleven tem esse nome por ficar aberta das 7h às 23h, o 6-Twelve funciona das 6h à 0h. Ou seja, o comerciante terá de trabalhar mais horas (ou contratar gente para isso) para fazer valer o novo nome da loja.

Musa não foi o primeiro a ter a ideia de abrir uma loja com o nome 6-Twelve. Há pelo menos mais duas nos EUA (aqui e aqui). Mas ele é o primeiro a fazer isso por despeito com um antigo parceiro comercial.