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Como São Paulo podia ser uma cidade incrível se aproveitasse sua natureza

Ilustração com flora da cidade de São Paulo na época de sua fundação e nomes dos bairros atuais (Leandro Lopes de Souza)

Ilustração com flora da cidade de São Paulo na época de sua fundação e nomes dos bairros atuais (Leandro Lopes de Souza)

São Paulo é a cidade austera, cinza, construída. Há uma beleza nela, mas – salvo alguns pontos no mapa – tem pouco a ver com a natureza e o verde. Poderia ser muito diferente.

Um estudo do botânico Ricardo Cardim, em parceria com o ilustrador Leandro Lopes de Souza, traz um retrato de como era, no século 15, a fauna e a flora da região em que está a capital paulista. Um ecótono, local de confluência de biomas diferentes, que reunia floresta tropical, cerrado e até pântano.

A BBC Brasil fez uma boa reportagem sobre isso. Confiram aqui.

Quais as maiores metrópoles do mundo a cada ano? Esse vídeo mostra

Durante anos, nos acostumamos a uma certa ideia de que Tóquio é a maior metrópole do mundo e que Cidade do México, Nova York, Xangai e São Paulo também estão no topo dessa disputa. Mas o ranking de maiores cidades do mundo é bastante móvel, refletindo o momento econômico e social de nações ao longo da história.

Nesta primeira metade do século 21, por exemplo, o momento é de crescimento acentuado da Ásia, ainda mais com o desenvolvimento constante de China e Índia, e da África. E uma boa forma de ver isso é com o vídeo abaixo, do canal Wawamu Stats. 

É possível ver ano a ano, de 1950 até 2019 e projeções das Nações Unidas até 2035. Muito legal.

As regiões de Nova York e que super-heroi protege cada uma

É difícil ser um criminoso em Nova York. Não apenas pela ação da polícia, porque ela existe em qualquer lugar, mas nenhum outro lugar está tão protegido por super-herois. É verdade que Batman (Gotham) e Superman (Metropolis) até parecem viver em cidades inspiradas por Nova York, mas vários ouros personagens dos quadrinhos e do cinema convivem com os nova-iorquinos.

Os mais famosos são Homem de Ferro, Capitão América, Homem-Aranha e as Tartarugas Ninjas, mas vários outros escolheram a maior cidade dos Estados Unidos como cenário. São tantos que a operadora de turismo Top View Sightseeing preparou um mapa para quem quiser buscar os endereços citados nas histórias.

Veja só:

Mapa de Nova York e seus super-herois (Top View Sightseeing)

Mapa de Nova York e seus super-herois (Top View Sightseeing)

São Paulo perdeu o “Copa do Mundo de Mapas de Metrô”, e isso é mais que justo

Antes de tudo, deixar claro: eu sou paulistano, adoro metrô e votei em São Paulo no inútil-mas-divertido “Copa do Mundo de Mapas de Metrô”. Infelizmente, meu voto e de outras pessoas – provavelmente conterrâneos meus – não foi suficiente para a capital paulista progredir para as fases finais da competição. Mas, falando friamente, isso faz todo o sentido.

A competição foi organizada pelo site Transit Maps (aliás, sigam os caras!). Foram selecionados mapas de transporte público de 32 cidades pelo mundo (São Paulo foi a única brasileira), com duelos organizados em sistemas eliminatórios. Uma cidade era colocada contra outra, os leitores do site entravam, votavam e pronto: quem tivesse mais votos avançava para a etapa seguinte.

São Paulo passou por Washington na primeira fase, mas caiu diante de Seul nas oitavas de final. A grande vencedora foi Santiago, que  passou por Singapura, Vancouver, Seul, Boston e Moscou antes de conquistar o título. A capital chilena nem tem um mapa de metrô tão fantástico assim, provavelmente foi impulsionada por alguma campanha virtual no Chile, mas a questão aqui é discutir São Paulo.

A capital paulista não merecia melhor sorte. O metrô de São Paulo tem estações em estado de conservação acima da média, as composições são confortáveis nos horários em que não viraram lata de sardinhas humanas e há perspectiva de ampliação da rede em breve. Mas aqui a questão não é a rede em si, se ela é suficiente, confortável, cheira bem, tem música legal ou tem arquitetura diferente. É uma questão do design do mapa. E, nisso, os paulistanos podiam ser mais bem atendidos.

Esse é o mapa da rede de transportes metropolitanos de São Paulo hoje (clique aqui para ver maior):

Mapa do Metrô de São Paulo

Mapa do Metrô de São Paulo

Visualmente, não é harmonioso. Parece haver um esforço para fazer as linhas serem o mais retas possíveis e todo o mapa ficar quadrado, mas o resultado é um monte de buracos no meio e espremendo as estações das linhas Diamante, Safira e Vermelha. Para piorar, o mapa nem reflete tão bem assim a rede, pois São Caetano do Sul aparece muito mais a leste que a Penha, sendo que a Penha é mais oriental.

Como parâmetro, é só comparar com alguns outros, como Moscou, Londres, Tóquio e Seul.

Esse desenho é resultado de atualizações da época em que a o Metrô tinha apenas duas linhas (Norte-Sul e Leste-Oeste, atuais Azul e Vermelha) e o mapa era uma cruz. Mas dava para fazer um novo desenho.

Há uma segunda versão, feita em escala e presente em várias estações. É interessante para ver a dimensão real, mas não é muito prático para o dia a dia porque dificulta uma busca rápida pelas estações, sobretudo no centro expandido.

Ainda assim, não é preciso criar algo do zero. O próprio governo do estado de São Paulo, quando foi projetar como estaria a rede de transportes da Grande São Paulo na próxima década, fez um mapa novo, muito mais interessante. As linhas têm traçados mais parecidos com os reais, mas ainda é prática e de fácil consulta.

Veja abaixo (considere que o mapa inclui linhas ainda em construção, projeto ou planejamento):

Mapa do Metrô de São Paulo com possíveis expansões

Mapa do Metrô de São Paulo com possíveis expansões

Claro, toda essa questão é de pouca relevância real. É mais um debate de design, mas o debate em torno da Copa do Mundo de Mapas de Metrô era estético e a eliminação precoce de São Paulo se deu por causa disso.

Por que não deveríamos acreditar nos números oficiais das festas de Réveillon

Foram 1,7 milhões de pessoas na avenida Paulista, 500 mil a mais que a estimativa inicial dos organizadores. O número impressiona, assim como os 2,4 milhões na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, 0s 3 milhões de Salvador* e o 1,3 milhão em Fortaleza. São essas as estimativas oficiais de pessoas que viram as celebrações de virada de ano em quatro dos cinco municípios mais populosos do Brasil. Mas até que ponto dá para levar a sério?

Em diversas situações, contagem de multidões é motivo de polêmica. Quando há uma manifestação de rua que representa algum tipo de causa — da Parada do Orgulho LBGT a protestos contra o governo, passando por greve e comemoração de títulos de futebol –, há dois lados se confrontando. Os organizadores querem inflar os números para legitimar ou expor a força de seu movimento. Os opositores tentam jogar o cálculo para baixo. As autoridades (leia-se “polícia”) poderiam funcionar como elemento neutro no debate, mas elas muitas vezes atuam em nome de uma das partes.

LEIA MAIS: Por que a Parada Gay de São Paulo saiu do Guinness como a maior do mundo

Mas essa não é uma questão sem resposta. Há métodos utilizados internacionalmente para estimar a quantidade de pessoas dentro de uma multidão.  Eles dependem do fator humano (mapear a área ocupada pela mobilização) e podem levar a valores diferentes, mas vão girar em torno de uma margem de erro.

Esses critérios são muito utilizados pela imprensa ou por outras organizações para ser uma voz neutra quando dois lados criam versões muito díspares em cima de um acontecimento. Mas isso nem sempre ocorre na celebração do Ano Novo. Afinal, a prefeitura tem interesse em inflar os números para promover seu evento, a polícia não tem motivos para entrar em choque com a gestão municipal e a imprensa não sente necessidade de desmascarar o poder público em uma notícia tão trivial. Aí, números oficiais são reproduzidos sem contestação.

Multidão na Avenida Paulista na festa de Réveillon (Eduardo Ogatoa / Secom Prefeitura de SP)

Multidão na Avenida Paulista na festa de Réveillon (Eduardo Ogata / Secom Prefeitura de SP)

Mas há problemas, claro que há. A prefeitura de São Paulo já chegou a contabilizar em 2,5 milhões a quantidade de presentes em uma celebração de Ano Novo. O rio de Janeiro fez parecido com a celebração de Copacabana, jogando números para cima como se houvesse um Rio-São Paulo de quem juntou mais gente no show do Réveillon.

No entanto, a Folha de São Paulo já fez uma reportagem mostrando que, por seus critérios, a Avenida Paulista comporta no máximo 950 mil pessoas de ponta a ponta. Mesmo que consideremos que parte do público do Réveillon entrou e saiu da multidão ao longo da festa, dificilmente ele dobraria a conta. Até porque, no início da avenida, a densidade de pessoas por metro quadrado é muito menor devido à distância do palco, montado no final.

Outra reportagem da mesma Folha mostra que caberiam 2,8 milhões de pessoas na praia de Copacabana, ocupando toda a areia e incluindo o trecho do Leme. Excluindo os trechos de praia ocupados pelo enorme palco, pela estrutura de serviço ao público e mais distantes, em que a multidão fica mais dispersa (veja no canto esquerdo desta foto, tirada do Leme em 2016), os 2,4 milhões divulgados pela prefeitura fica no limite do possível e os 3 milhões que a organização estimava soam fora da realidade.

O pior é que qualquer pessoa que já lidou com cobertura ou organização de multidões sabe disso. Mas todos continuam aceitando essa prática, provavelmente por considerar que “não há mal algum nesse caso”. Talvez não haja, mas é divulgar informação sabidamente errada sem realizar um mínimo esforço para contestá-la ou verificá-la.

Os diferentes sistemas de cruzamentos e a capacidade de tráfego de cada um

Cruzamentos parecem simples. Em princípio, basta colocar um semáforo no meio para condicionar quando o carro vindo de cada via deve passar. Mas acrescente pistas duplas, três ou quatro faixas e um fluxo muito maior de veículos para a coisa ficar bem mais complicada.

O vídeo abaixo mostra os diferentes tipos de cruzamentos e a capacidade de fluxo de cada um. Claro, quanto mais carros eles comportam, mais espaço e mais dinheiro o complexo viário demanda. 

Por fim, importante lembrar, muitos desses sistemas não consideram a presença dos pedestres, reforçando que alguns foram projetados para interseções com pouquíssimo fluxo de pessoas a pé (como em rodovias) e não são recomendados para áreas urbanas. 

Nem a destruição da Guerra da Síria impediu Homs de celebrar o Natal

Homs era a terceira maior cidade da Síria no início da década, com mais de 800 mil habitantes. Até que ela se tornou um ponto estratégico na Guerra da Síria em 2011. Dominada pela oposição do governo de Bashar al-Assad, ela foi cercada e se tornou cenário das mais diversas cenas de barbárie. Isso seguiu até dezembro de 2015, com a rendição do que restava das forças de oposição a Assad.

VEJA TAMBÉM: Quando ingleses e americanos ficaram décadas proibidos de celebrar o Natal

Dois anos depois, a vida está longe de voltar ao normal. A população da cidade é estimada em apenas 200 mil e quase tudo tem de ser reconstruído, de edificações à infraestrutura básica (a energia elétrica ainda depende de geradores). Mas isso não impediu os cristãos locais — cerca de 30% da população até a guerra — se unissem aos muçulmanos para celebrar o Natal.

Então, fiquem hoje com o vídeo do canal alemão Deutsche Welle com o acendimento da árvore de Natal no centro de Homs. Ela diz muito sobre o que essa data representa, independentemente de crença religiosa.

Depois de meses parada, a seção Cities Quiz voltou a sempre obrigatório Guardian Cities, a página de urbanismo do jornal inglês Guardian. E voltaram chutando a porta e falando alto. Afinal, há poucos temas melhores do que a identificação de cidades por seus mapas antigos. Fiz 8 de 10. Vá lá e tente também.

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Times profissionais pressionarem a prefeitura de sua cidade para construir uma nova arena, toda ou quase toda com dinheiro público, não é novidade nos Estados Unidos e no Canadá. Mas o Calgary Flames e a NHL, liga de hóquei no gelo, levaram essa prática a um novo patamar. Ambos pediram para a população votar contra o prefeito Naheed Nenshi na campanha pela reeleição. Contei essa história aqui.

Já faz uns meses que não faço mais a seção de música de cidades (falta de tempo, era algo deliciosamente trabalhoso fazer), mas fica uma dica aqui. O amigo e colega Rodrigo Ratier, editor da Nova Escola, mostra com detalhes como é possível aprender sobre a relação centro-periferia (o cenário é o Rio, mas serve para vários lugares, até o Oriente Médio) a partir da música “As Caravanas”, de Chico Buarque.

O texto é voltado a professores, explicando como aplicar esse conteúdo em uma sala de aula. Mas o texto é válido para qualquer um. Clique aqui, eu recomendo.

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