O que é? Diversos casos de terrorismo na Europa nos últimos anos tiveram uma coisa em comum: o bairro de Molenbeek, em Bruxelas. Dessa área da capital belga saíram os responsáveis por muitos atentados, inclusive os que atingiram Paris no final de 2015. Isso deixou uma imagem ruim de Bruxelas na comunidade internacional, e a prefeitura da cidade começa a agir para evitar um prejuízo que pode chegar a € 350 milhões.

Os belgas querem conversar

Disque +32 280 84 727 e espere. Se tiver sorte, alguém atenderá a ligação. Você não sabe quem é, e nem precisa. Basta saber que será alguém que está caminhando por alguma praça e ouviu o telefone tocar. Uma pessoa que talvez não fale seu idioma, mas que está tocando seu dia a dia como qualquer um em qualquer cidade do mundo.

Essa é a mensagem da prefeitura de Bruxelas ao criar a campanha Call Brussels. Pessoas em qualquer lugar do mundo ligam para o número do parágrafo anterior. A ligação cairá em um dos três telefones públicos criados para o projeto: no Mont des Arts, centro da cidade, na Praça Flagey, na zona sul, e na Praça Communale, no bairro de Molenbeek. A ideia é que todos percebam que a capital belga é uma cidade comum, com pessoas comuns. Mesmo em Molenbeek.

ATENTADO EM PARIS: Terrorismo faz o cotidiano da cidade como refém. Como lidar com isso?

Nos últimos meses, tem sido difícil passar essa mensagem. O bairro árabe de Bruxelas foi o centro do planejamento dos ataques terroristas a Paris em novembro último. Mais que isso: de lá saíram ainda os responsáveis de ao menos três outros atentados nos últimos anos. Molenbeek ganhou rapidamente a fama de berço do terrorismo europeu, o que acabou extrapolando para a cidade como um todo.

Telefone da campanha Call Brussels no Mont des Arts, centro de Bruxelas

Telefone da campanha Call Brussels no Mont des Arts, centro de Bruxelas

Bruxelas é uma bela cidade e se orgulha da Grand Place (considerada pelos locais como a mais bonita da Europa, e talvez seja mesmo), mas turisticamente costuma viver à sombra das vizinhas Brugges e Amsterdã. Por isso, muita gente no resto do mundo não tinha um conceito muito claro do que era a capital belga. No máximo, que era sede de várias instituições da União Europeia. Para muitos, as histórias sobre as condições de vida da comunidade árabe e como isso criou um caldeirão de violência que as autoridades não conseguem parar, foram as primeira informações mais forte sobre o dia a dia na cidade. Uma imagem nada agradável.

Isso causou problemas imediatos. Em dezembro, mês seguinte aos atentados de Paris, o movimento de turistas em Bruxelas caiu em 20% em relação ao mesmo período de 2014. O prejuízo pode chegar a € 320 milhões, de acordo com estimativas de entidades empresariais locais.

Para evitar que isso ocorra, os belgas querem conversar com o mundo e mostrar que são pessoas normais, que gostam de receber os outros e trocar experiências.

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