A disputa entre Catar e seus vizinhos árabes chegou ao futebol

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Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes e Iraque romperam relações com o Catar em junho de 2017. Essa decisão é reflexo da disputa entre sauditas e iranianos pela influência na região, um conflito em que o Catar ficava estrategicamente em cima do muro (o que acabou incomodando alguns dos vizinhos). Por isso, era de se esperar problemas quando catarianos tivessem de viajar aos Emirados Árabes, mesmo que fossem para competições esportivas. Foi o que aconteceu.

Contei essa história na Trivela. Confira.

Canadá muda o hino em favor da igualdade de gênero

Duas palavras, apenas duas palavras, e demorou quase três décadas para mudá-las. Nesta quarta (dia 31), o senado canadense aprovou uma alteração na letra em inglês de “Oh, Canadá”, o hino oficial do país desde 1980, quando substituiu o “God Save de Queen” do Reino Unido. O objetivo é tornar a música neutra em relação a gênero.

A mudança é realmente pequena. As três primeiras estrofes do hino são “O Canada! / Our home and native land! / True patriot love in all thy sons command” (“Oh, Canadá! / Nossa casa e terra nativa! / O verdadeiro amor patriótico em todos seus filhos comanda”). A questão é justamente o “thy sons” (“seus filhos”), uma referência restrita a homens.

Em português, “filhos” pode se referir a filhos homens ou a filhos homens e filhas mulheres misturados. Em inglês, “sons” serve só para homens. Se fossem filhos e filhas, seria “sons and daughters” ou “children”.

Por isso, surgiu a ideia de trocar “thy sons” por “of us”, deixando a estrofe “O verdadeiro amor patriótico em todos nós comanda”. Isso foi colocado em discussão pela primeira vez em junho de 1990, quando a Câmara de Toronto recomendou a troca ao governo canadense, assim como a mudança de “Our home and native land” (Nossa casa e terra nativa) por “Our home and cherished land” (Nossa casa e terra amada) para incluir também os estrangeiros que moram no Canadá e os canadenses que nasceram em outros países.

O assunto voltou ao debate em 2002 e em 2010, mas uma pesquisa mostrou que a maior parte da população era contra a mudança e o assunto esfriou. Até que, em 2016, um senador apresentou um projeto de lei defendendo a alteração. O texto passou por todas as instâncias até a última quarta, quando passou pelo Senado.


Hino canadense antes da alteração

Isso não significa que o hino já tenha oficialmente mudado. Ainda é necessária a aprovação da governadora-geral Julie Payette, uma espécie de representante da coroa britânica para o Canadá. Trata-se de uma formalidade, pois seu cargo é mais cerimonial do que executivo, mas ela precisa assinar a lei e estabelecer um dia para que ela entre em vigor.

Por fim, um detalhe importante. A discussão toda se refere apenas ao hino oficial em inglês. A letra em francês – que, diga-se, foi composta dez anos antes da versão inglesa – tem conteúdo bastante diferente, não cria conflito de gênero e, por isso, segue inalterada. As primeiras estrofes, por exemplo, são “Ô Canada! / Terre de nos aïeux, / Ton front est ceint de fleurons glorieux!” (“Ó, Canadá! / Terra dos nossos ancestrais, / Vossa testa está adornada com os louros mais gloriosos!”).

Nevou no Deserto do Saara, um fenômeno que está se tornando corriqueiro

As imagens são surpreendentes e até fazem parecer que é notícia falsa. Mas não é. No último dia 7, nevou em uma parte do Deserto do Saara, que viu suas dunas alaranjadas de areia ficarem brancas. Um fenômeno que ainda pode ser considerado raro, mas vem se tornando mais frequente nos últimos anos.

A neve caiu perto da cidade argelina de Aïn Séfra, localizada em um trecho da cordilheira do Atlas, no extremo norte do Saara. Não à toa, um dos apelidos da cidade é “Porta de Entrada do Deserto”. 

Ainda que a temperatura ultrapasse os 40ºC no verão, já se registrou -10,2ºC no inverno. O maior obstáculo às neves não é a temperatura em si, mas a falta de umidade. Ainda assim, nevou na região quatro vezes nos últimos seis anos, incluindo em 2017. No vídeo abaixo, é possível ver a cobertura da TV argelina (vídeo com trechos em francês e em árabe) para uma nevasca em 2012.

A neve não durou muito e derreteu ao longo do dia. Ainda assim, foi captada pelos satélites da Nasa, que fotografaram o deserto com as inusitadas manchas brancas –sobretudo nos picos — no meio do mar de areia.

Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)
Foto feita por satélite da neve no Deserto do Saara (Divulgação / Nasa)

Por que não deveríamos acreditar nos números oficiais das festas de Réveillon

Foram 1,7 milhões de pessoas na avenida Paulista, 500 mil a mais que a estimativa inicial dos organizadores. O número impressiona, assim como os 2,4 milhões na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, 0s 3 milhões de Salvador* e o 1,3 milhão em Fortaleza. São essas as estimativas oficiais de pessoas que viram as celebrações de virada de ano em quatro dos cinco municípios mais populosos do Brasil. Mas até que ponto dá para levar a sério?

Em diversas situações, contagem de multidões é motivo de polêmica. Quando há uma manifestação de rua que representa algum tipo de causa — da Parada do Orgulho LBGT a protestos contra o governo, passando por greve e comemoração de títulos de futebol –, há dois lados se confrontando. Os organizadores querem inflar os números para legitimar ou expor a força de seu movimento. Os opositores tentam jogar o cálculo para baixo. As autoridades (leia-se “polícia”) poderiam funcionar como elemento neutro no debate, mas elas muitas vezes atuam em nome de uma das partes.

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Mas essa não é uma questão sem resposta. Há métodos utilizados internacionalmente para estimar a quantidade de pessoas dentro de uma multidão.  Eles dependem do fator humano (mapear a área ocupada pela mobilização) e podem levar a valores diferentes, mas vão girar em torno de uma margem de erro.

Esses critérios são muito utilizados pela imprensa ou por outras organizações para ser uma voz neutra quando dois lados criam versões muito díspares em cima de um acontecimento. Mas isso nem sempre ocorre na celebração do Ano Novo. Afinal, a prefeitura tem interesse em inflar os números para promover seu evento, a polícia não tem motivos para entrar em choque com a gestão municipal e a imprensa não sente necessidade de desmascarar o poder público em uma notícia tão trivial. Aí, números oficiais são reproduzidos sem contestação.

Multidão na Avenida Paulista na festa de Réveillon (Eduardo Ogatoa / Secom Prefeitura de SP)
Multidão na Avenida Paulista na festa de Réveillon (Eduardo Ogata / Secom Prefeitura de SP)

Mas há problemas, claro que há. A prefeitura de São Paulo já chegou a contabilizar em 2,5 milhões a quantidade de presentes em uma celebração de Ano Novo. O rio de Janeiro fez parecido com a celebração de Copacabana, jogando números para cima como se houvesse um Rio-São Paulo de quem juntou mais gente no show do Réveillon.

No entanto, a Folha de São Paulo já fez uma reportagem mostrando que, por seus critérios, a Avenida Paulista comporta no máximo 950 mil pessoas de ponta a ponta. Mesmo que consideremos que parte do público do Réveillon entrou e saiu da multidão ao longo da festa, dificilmente ele dobraria a conta. Até porque, no início da avenida, a densidade de pessoas por metro quadrado é muito menor devido à distância do palco, montado no final.

Outra reportagem da mesma Folha mostra que caberiam 2,8 milhões de pessoas na praia de Copacabana, ocupando toda a areia e incluindo o trecho do Leme. Excluindo os trechos de praia ocupados pelo enorme palco, pela estrutura de serviço ao público e mais distantes, em que a multidão fica mais dispersa (veja no canto esquerdo desta foto, tirada do Leme em 2016), os 2,4 milhões divulgados pela prefeitura fica no limite do possível e os 3 milhões que a organização estimava soam fora da realidade.

O pior é que qualquer pessoa que já lidou com cobertura ou organização de multidões sabe disso. Mas todos continuam aceitando essa prática, provavelmente por considerar que “não há mal algum nesse caso”. Talvez não haja, mas é divulgar informação sabidamente errada sem realizar um mínimo esforço para contestá-la ou verificá-la.

Por que o ano começa em 1º de janeiro?

Calma, calma. A pergunta do título parece meio boba, mas não é tão simples assim. Acompanhe o raciocínio. Estamos acostumados a ver o calendário do jeito atual, começando em janeiro e terminando em dezembro. Logo, o primeiro dia do primeiro mês marca o início de um novo ciclo, do novo ano.

Tudo bem, isso é fácil de entender. Mas… por que o ano começa agora, no meio da segunda semana do inverno do hemisfério norte, onde foi criado o calendário gregoriano?  Por que a mudança de ciclo não está vinculada a algum marco como o solstício de verão (21 de junho no hemisfério norte) ou de inverno (21 de dezembro), ou no início da primavera? Ou então por que o ano não tem início no dia de algum acontecimento histórico, como o nascimento de Jesus?

LEIA MAIS: Que países não comemoram o Ano Novo em 1º de janeiro?

Vários calendários criados pela humanidade usavam alguns desses marcos para determinar o início de um novo ano. Os mesopotâmios adotavam o equinócio de março (25 de março) como dia do ano novo. Os atenienses iniciavam o ano na primeira lua cheia após o solstício de verão (21 de junho). O calendário chinês determina que o último mês de um ano é o mês lunar em que está o solstício de inverno (21 de dezembro no nosso calendário). Portanto, o ano normalmente* começa no mês em que aparece a segunda lua nova após 21 de dezembro, ou seja, no primeiro dia da lua nova entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro.

* O calendário chinês tem anos com número de dias diferentes. Por isso, ainda que menos comum, é possível que o ano comece na terceira lua nova após o solstício de inverno.

O calendário gregoriano, o mais comum no mundo atual, tem sua origem na Roma Antiga. Os romanos adotavam um calendário de dez meses, com o ano começando em 1º de março. Por isso, aliás, que setembro, outubro, novembro e dezembro têm esses nomes (eram os sétimo, oitavo, nono e décimo meses do ano). Posteriormente, foram criados os meses de janeiro e fevereiro, mas eles encerravam o calendário.

No entanto, em 153 aC, 1º de janeiro se tornou o dia da posse dos novos cônsuls, cargo político mais alto no período da república. Em 45 aC, Julio Cesar substituiu o antigo calendário romano pelo calendário juliano, determinando o início do ano em janeiro. Ainda assim, não era algo largamente aceita pela sociedade e por religiosos. Durante séculos, o Ano Novo foi comemorado em outras datas, como 1º de março (ainda pela tradição romana), 25 de março (Dia da Anunciação), Páscoa ou 25 de dezembro (Natal). 

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Em 1582, o Papa Gregório 13 anunciou a criação do calendário gregoriano (imagem acima), corrigindo pequenos erros do calendário juliano. Esse novo calendário restabeleceu o início do ano em 1º de janeiro, que também marcava a Festa da Circuncisão de Cristo (oitavo dia de vida de Jesus, quando, pela tradição judaica, ele foi circuncidado).

No entanto, apenas os países católicos o adotaram de imediato. Nações protestantes seguiam com suas datas civis e litúrgicas e foram trocando pouco a pouco, em um processo que levou séculos. Para se ter uma ideia, o Reino Unido e suas colônias (incluindo Canadá e Estados Unidos) celebravam o Ano Novo em 25 de março até 1752.

Ou seja, de um ponto de vista histórico, virar o ano em 1º de janeiro é algo relativamente novo. Nos EUA, por exemplo, é uma prática de menos de 300 anos. Porque, no final das contas, a data em que o calendário se renova é arbitrária, e qualquer momento poderia ser estipulado para tal.

Os diferentes sistemas de cruzamentos e a capacidade de tráfego de cada um

Cruzamentos parecem simples. Em princípio, basta colocar um semáforo no meio para condicionar quando o carro vindo de cada via deve passar. Mas acrescente pistas duplas, três ou quatro faixas e um fluxo muito maior de veículos para a coisa ficar bem mais complicada.

O vídeo abaixo mostra os diferentes tipos de cruzamentos e a capacidade de fluxo de cada um. Claro, quanto mais carros eles comportam, mais espaço e mais dinheiro o complexo viário demanda. 

Por fim, importante lembrar, muitos desses sistemas não consideram a presença dos pedestres, reforçando que alguns foram projetados para interseções com pouquíssimo fluxo de pessoas a pé (como em rodovias) e não são recomendados para áreas urbanas. 

Nem a destruição da Guerra da Síria impediu Homs de celebrar o Natal

Homs era a terceira maior cidade da Síria no início da década, com mais de 800 mil habitantes. Até que ela se tornou um ponto estratégico na Guerra da Síria em 2011. Dominada pela oposição do governo de Bashar al-Assad, ela foi cercada e se tornou cenário das mais diversas cenas de barbárie. Isso seguiu até dezembro de 2015, com a rendição do que restava das forças de oposição a Assad.

VEJA TAMBÉM: Quando ingleses e americanos ficaram décadas proibidos de celebrar o Natal

Dois anos depois, a vida está longe de voltar ao normal. A população da cidade é estimada em apenas 200 mil e quase tudo tem de ser reconstruído, de edificações à infraestrutura básica (a energia elétrica ainda depende de geradores). Mas isso não impediu os cristãos locais — cerca de 30% da população até a guerra — se unissem aos muçulmanos para celebrar o Natal.

Então, fiquem hoje com o vídeo do canal alemão Deutsche Welle com o acendimento da árvore de Natal no centro de Homs. Ela diz muito sobre o que essa data representa, independentemente de crença religiosa.

Cities Quiz voltou em alta: identificar cidades por mapas antigos

Depois de meses parada, a seção Cities Quiz voltou a sempre obrigatório Guardian Cities, a página de urbanismo do jornal inglês Guardian. E voltaram chutando a porta e falando alto. Afinal, há poucos temas melhores do que a identificação de cidades por seus mapas antigos. Fiz 8 de 10. Vá lá e tente também.

VÍDEO: Qual a extensão do incêndio na Califórnia? Bem, ele fez Los Angeles parecer Mordor

Os californianos estão cada vez mais acostumados em lidar com incêndios na mata. O tempo seco e os ventos são um ambiente propício para a propagação das chamas, que muitas vezes chegam a regiões habitadas e causam mortes e forçam o deslocamento de pessoas. É o que está acontecendo nesta semana, com o fogo se aproximando de Los Angeles e criando imagens quase cinematográficas.

Veja esse vídeo feito por um angelino que estava na Interstate 405, uma das principais vias expressas da Grande LA, indo ao trabalho. Parece que ele está indo para Mordor fazer uma reunião de negócios com Sauron.

A cena é assustadora e perigosa, tanto que a via foi interditada nesse trecho. Em teoria, uma grande via como essa pode funcionar como uma barreira para as chamas e impedir o avanço do incêndio. No entanto, se o vento estiver forte demais, o fogo pode atravessar a pista e ser reiniciado do outro lado.

A Copa do Mundo começará bem no Ramadã. Isso afetará as seleções de maioria muçulmana?

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O técnico da Tunísia, Nabil Maaloul, se disse aliviado ao ver que o sorteio da próxima Copa do Mundo não colocou sua equipe nos Grupos A ou B. O motivo: o Mundial da Rússia começará em 14 de junho, justamente o último dia do Ramadã. Sorte dos tunisianos, mas essas duas chaves, que têm partidas programadas para os dias 14 e 15 de junho, têm quatro times de países de maioria muçulmana: Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Irã. Como eles vão fazer? Escrevi um artigo na Trivela sobre isso. Confiram.