Assim que o turista faz o check in no hotel, recebe um mapa. Não é um mapa da cidade, com eventuais dicas das principais atrações na região, é um mapa do hotel. E eles são bastante necessários, pois é o jeito de não se perder no meio de centenas de mesas e máquinas de jogos, dezenas de lojas e restaurantes, auditórios, arenas e corredores para todos os lados. Os hotéis-cassinos que desenham a paisagem da Strip, principal avenida de Las Vegas, foram feitos para o visitante satisfazer todas as suas necessidades em um único local. Se precisar passear, há ônibus fretados para alguns locais ou precisa apelar ao táxi ou Uber.

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Transporte público não parece combinar com esse mundo da abundância e do perdularismo. No meio de tantas luzes piscantes, sósias do Elvis Presley e montanha-russa vertical, espera-se ver veículos extravagantes como uma limousine Hummer, uma Ferrari que sacie o desejo de um turista com crise de meia-idade ou um caminhão-balada. E, nesse aspecto, Las Vegas nunca decepciona.

O problema é que o mundo real não é feito dessa excentricidade. A cidade não vive apenas do turista que vai ao deserto do Nevada para apostar. A segunda maior fonte de renda da capital do jogo são os congressos e feiras, que usam o apelo turístico para atrair mais visitantes. E muitos deles não chegam pensando em gastar seus dólares desnecessariamente. Se somar esse público com a população local, que precisa fazer o trajeto casa-trabalho diariamente, percebe-se o crescimento da demanda por transporte público de massa.

Homem fantasiado de Elvis Presley carrega réplica de placa de Las Vegas (AP Photo/Julie Jacobson)

Homem fantasiado de Elvis Presley carrega réplica de placa de Las Vegas (AP Photo/Julie Jacobson)

Nesta semana, a prefeitura de Las Vegas divulgou um projeto para tornar a cidade mais verde, com um centro mais agradável e, principalmente, uma linha de VLT (veículo leve sobre trilhos) ligando o centro, a Strip e o aeroporto Internacional McCarran. A medida aliviria o trânsito nas avenidas que fazem esse trajeto, além de dar mais autonomia aos moradores e turistas, que deixam de depender de táxi, Uber, carros alugados ou ônibus oferecidos pelos hotéis.

A medida é vista como estrategicamente importante para manter Las Vegas como um dos principais centros de eventos. A cidade teme a concorrência com Orlando, que já inaugurou seu sistema de transporte de massa e conta com dois atrativos similares à capital dos cassinos: está em uma área que raramente neva (ou seja, pode receber eventos no inverno) e tem alto potencial turístico.

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O plano do VLT de Las Vegas ainda é incipiente e nem há um projeto. As estimativas iniciais é que o sistema custe entre US$ 2,1 e 12,5 bilhões, uma faixa de valores incomodamente larga. As autoridades calculam que ela traria muitos ganhos com a manutenção ou crescimento de eventos, além da redução de trânsito e do incentivo do comércio de bairro, outra coisa que parece não ter espaço em uma cidade em que um quarteirão com apenas dois hotéis chega a ter 800 metros de extensão.

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