Antecipar feriado não visa apenas baixar a taxa de isolamento

Avenida 9 de Julho, em São Paulo (Reprodução Google Street View)

Corpus Christi mudou de 11 de junho para 20 de maio. O dia seguinte virou o Dia da Consciência Negra, originalmente em 20 de novembro. Como 22 de maio virou emenda, 23 e 24 são fins de semana e 25 de maior virou o novo feriado de 9 de julho, São Paulo criou um superferiadão de 6 dias. A meta, como outras medidas infrutíferas: aumentar a taxa de isolamento social na capital paulista.

Essa é a versão oficial, e o resultado da política é bastante contestável na questão da quarentena. No final das contas, milhares de paulistanos aproveitaram para passar o feriadão fora da cidade, congestionando rodovias e levando a movimentação nas ruas (e eventualmente o Sars-Covid-2) para o interior e o litoral.

Mas há uma pegadinha nessa medida. Ao antecipar feriado, as autoridades paulistanas não estão apenas forçando a atividade econômica a parar nesses dias. Elas estão também permitindo que, lá na frente, quando a quarentena já tiver acabado, as empresas terão menos interrupções para feriados.

Considerando que o setor empresarial tem pressionado pela reabertura da economia, um pequeno agrado não soa ruim. E certamente muita empresa prefere pagar esses feriados agora, quando o consumo está baixo, do que em julho ou novembro, quando a atividade estará maior.