A última quarta foi um dia atípico na Cidade do México. Milhões de pessoas foram obrigadas a deixar o carro em casa, ganhando transporte público gratuito como compensação. Alguns milhares ainda saíram nas ruas com máscaras ou usando tecidos para tapar boca e nariz. Tudo resultado de três dias seguidos com alerta de poluição.

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O ano tem sido complicado na atmosfera da capital mexicana. Em 2016, apenas 11 dias tiveram qualidade do ar classificada como “boa”. Foram três pré-contingências e, na última semana, a sequência de três dias com poluição particularmente alta – níveis de ozônio estavam do dobro do aceitável – acionou a fase 1 de contingência ambiental.

As autoridades recomendaram que a população limitasse suas atividades ao ar livre e 1,1 milhão de carros – de uma frota de 4,7 milhões – foram proibidos de circular na região metropolitana da cidade. Metrô e ônibus tiveram catracas liberadas em toda a capital. Se os índices não baixarem nos próximos dias, um novo pacote de medidas pode ser utilizado, incluindo até a suspensão temporária da atividade industrial.

A implementação do passe livre por um dia fez que a prefeitura deixasse de arrecadar entre 40 e 50 milhões de pesos mexicanos (entre US$ 2,3 e 2,58 milhões). No entanto, as autoridades preferiram não reforçar essa conta. Elena Segura Trejo, secretária da comissão de fazenda da Assembleia Legislativa do Distrito Federal afirmou que não houve uma perda. “Houve falta de ingresso que ocorreu para favorecer os capitalinos”, argumentou ao jornal El Universal.

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A Cidade do México sabe bem quais os riscos de viver com grande poluição. Localizada entre montanhas, a capital mexicana se viu dentro de uma armadilha quando houve grande desenvolvimento urbano e industrial no século 20. Fábricas e carros despejavam poluentes na atmosfera, mas não havia por onde o ar dispersar. A contaminação foi considerada a causa de aumento da mortalidade infantil na década de 1950 e de evasão escolar.

Várias medidas foram implementadas a partir da década de 1980, como rodízio de veículos, mudança na formulação da gasolina, incentivo a saída da cidade das indústrias mais poluidoras e aumento do transporte público. O cenário melhorou, mas ainda há momentos de piora. A última vez que o governo local acionou a fase 1 de contingência ambiental foi em setembro de 2002.

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