Parisienses se reunirem na rua é algo comum, e qualquer lugar da cidade pode ser palco de alguma mobilização. Mas um dos pontos mais conhecidos é a Esplanada da Liberação, conhecida também como Place d’Hôtel de Ville (Praça da Prefeitura). Vários eventos culturais são organizados nesse espaço, também usado para reunir torcedores diante do telão quando tem jogo da França na Copa do Mundo ou na Eurocopa. Há séculos, porém, o local já fincava seu pé na cultura ocidental. E não estou falando das multidões lá se juntavam para presenciar as execuções por guilhotina durante a Revolução Francesa.

Na Idade Média, a praça era muito diferente. Posicionada às margens do Rio Sena, o espaço era uma praia de areia e cascalho, usado como atracadouro pelos barcos que levavam mercadorias a Paris. Esse serviço de desembarque de mercadorias exigia pouca especialização e muita força. Assim, vários parisienses desempregados ficavam nesse porto se oferecendo para ajudar no trabalho e ganhar algum dinheiro.

Na época, o espaço era nomeado de acordo com sua descrição: Praça da Praia, ou Place de Grève. Com o tempo, a praça virou sinônimo de concentração de trabalhadores. Primeiro, em busca de emprego. Depois, como paralisação devido a alguma reivindicação. O termo foi absorvido em português, e a expressão “greve” virou tão convencional como forma de protesto, da greve trabalhista à greve de fome, que nem parece que sua origem é de um porto da Paris Medieval.

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