O turismo no Rio sem Reveillón e Carnaval

Desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro (Flickr / Terry George)

A indústria do turismo foi uma das mais afetadas com a pandemia de coronavírus, e, para a retomada, muitas empresas e operadoras apostam em viagens que permitam ao turista ter experiências mais isoladas ou em ambientes mais controlados. Mas como fazer se a essência de algum destino é a aglomeração de pessoas? É o problema que o Rio de Janeiro vem enfrentando em um mundo em que é recomendável evitar a folia do Carnaval, passar o Reveillón com uma multidão na praia ou mesmo fazer rodas de samba na calçada.

Uma reportagem de Ana Paula Grabois para o El País mostra a situação do setor cultural carioca. De acordo com o site, bares e restaurantes teriam fechado 9 mil dos 110 mil (8,2%) postos de trabalho no Rio de Janeiro. No setor hoteleiro o cenário seria ainda pior: 20% de cortes.

A crise também chegou às escolas de samba, que fecharam seus ensaios no que seria a época de escolha dos sambas-enredo para o ano seguinte, sempre um período em que a comunidade se mobiliza e os barracões enchem. No meio, não se imagina realizar o Carnaval de 2021 sem a chegada da vacina. Um adiamento da festa é possível, mas mesmo para isso haveria limite, pois poderia prejudicar a preparação apra 2022.

Vale a pena ver a reportagem completa neste link.

Futuro do Minhocão vai passar por plebiscito, mas a comuniadde da região que deveria decidir

Minhocão, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Plano Diretor da cidade de São Paulo já definiu que o elevado João Goular, popular Minhocão, será fechado para os carros em 2029. No entanto, ainda há muita dúvida sobre o que fazer com sua estrutura. E a notícia desta quarta (9) é que pode haver um plebiscito para a população escolher o destino do viaduto.

Essa foi a proposta aprovada pela Câmara de Vereadores da capital paulista, e ainda depende da aprovação do prefeito Bruno Covas. Seriam três opções: desmontar totalmente o elevado, deixá-lo inteiramente como um parque horizontal (como a Highline de Nova York, referência automática sempre que se fala nisso) ou o desmonte apenas entre a Praça Roosevelt e o Largo Santa Cecília, deixando o resto como parque horizontal.

A ideia soa democrática: tira o debate do universo político e deixa para as pessoas decidirem. Bem, ela é democrática, mas talvez não seja a melhor. Afinal, deixaria para milhões de paulistanos que não ligação com o Minhocão decidirem o que fazer com ele. Para muita gente, o único impacto do elevado no dia a dia é o papel no sistema viário. Mas isso já está definido: o viaduto será fechado. O plebiscito diria respeito apenas ao que fazer com a estrutura, o que tem papel nulo na vida de quem não mora ou circula pela região.

Seria muito mais justo criar um método para que as pessoas que vivem no entorno do Minhocão pudessem decidir. Elas que sofrem com o impacto urbanístico, imobiliário e visual do elevado, e elas que poderiam aproveitar os benefícios de uma área de lazer feita em cima dessa estrutura. Ou seja, esses paulistanos que teriam mais elementos para tomar a decisão mais justa para a realidade da região.

Claro, definir um plebiscito apenas para moradores — ou pessoas registradas em zonas eleitorais — de uma região poderia criar dificuldades políticas e até legais. Mas seria muito melhor se as pessoas que seriam impactadas com o resultado do plebiscito não corressem o risco de terem suas posições ofuscadas por milhões de pessoas que vivem do outro lado da cidade.

Antecipar feriado não visa apenas baixar a taxa de isolamento

Avenida 9 de Julho, em São Paulo (Reprodução Google Street View)

Corpus Christi mudou de 11 de junho para 20 de maio. O dia seguinte virou o Dia da Consciência Negra, originalmente em 20 de novembro. Como 22 de maio virou emenda, 23 e 24 são fins de semana e 25 de maior virou o novo feriado de 9 de julho, São Paulo criou um superferiadão de 6 dias. A meta, como outras medidas infrutíferas: aumentar a taxa de isolamento social na capital paulista.

Essa é a versão oficial, e o resultado da política é bastante contestável na questão da quarentena. No final das contas, milhares de paulistanos aproveitaram para passar o feriadão fora da cidade, congestionando rodovias e levando a movimentação nas ruas (e eventualmente o Sars-Covid-2) para o interior e o litoral.

Mas há uma pegadinha nessa medida. Ao antecipar feriado, as autoridades paulistanas não estão apenas forçando a atividade econômica a parar nesses dias. Elas estão também permitindo que, lá na frente, quando a quarentena já tiver acabado, as empresas terão menos interrupções para feriados.

Considerando que o setor empresarial tem pressionado pela reabertura da economia, um pequeno agrado não soa ruim. E certamente muita empresa prefere pagar esses feriados agora, quando o consumo está baixo, do que em julho ou novembro, quando a atividade estará maior.

O incrível mapa das migrações humanas (ao longo de toda a história)

Para quem gosta de etnologia, mas quer apenas algo mais introdutório, sem aprofundamento técnico, o Masaman é um canal bem interessante. Mantido por um texano chamado Mason (não achei referências mais completas sobre ele), entusiasta de estudo dos povoamentos humanos e as misturas por eles criadas, ele traz vídeos bastante ilustrados sobre o tema. Eventualmente, ele até desenvolve algumas ilustrações ou gráficos para apresentar as informações.

Foi o caso de um vídeo desta semana. Ele fez um mapa que reúne os principais movimentos migratórios da história em uma imagem. Claro, é um projeto muito ambicioso e dá para considerar que ele só se viabiliza com alguma margem de simplificação, mas é bem interessante.

Acima está apenas um trecho, que inclui o sul da Europa, a África e a costa atlântica das Américas. Mas dá para ver ele inteiro aqui. Abaixo está o vídeo em que ele explica os dados (em inglês), vale a pena.

Rodízio ampliado: como esperado, pior para o transporte público

Saíram os primeiros números do rodízio ampliado em São Paulo. De fato, menos carros circularam pelas ruas, 1,5 milhão de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego da capital paulista. No entanto, como esperado, mais gente teve de se apertar no transporte público: só nos ônibus foram 6,2% a mais, e houve relatos de superlotação em estações de trem e metrô.

Veja mais aqui e aqui.

Prefeitura de São Paulo faz de tudo para não fazer o que precisa: bloqueio total

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, anunciou uma mudança na regras do rodízio de veículos na cidade. Ao invés de restringir a circulação de carros com placas com dois números específicos no final de cada placa, agora a definição será por placa de final par ou ímpar (em dia ímpar, podem circular carros com placa de final ímpar). Isso vale a partir da próxima segunda (dia 11) e seria mantido até nos fins de semana. Além disso, estaria em vigor durante todo o dia, não apenas na hora do rush.

No reflexo imediato, a medida até parece fazer algum sentido. O rodízio passa a atingir 50% dos carros, ao invés dos 20%. Nisso, as autoridades paulistanas apostam que conseguiriam, enfim, aumentar o índice de pessoas que ficam em casa seguindo a quarentena.

Basta pensar um minuto a mais, porém, para perceber como a intenção pode até ser boa, mas ela provavelmente piorará as coisas. E que, no fundo, a prefeitura sabe muito bem o que precisa fazer, e não faz com medo da repercussão em alguns setores: o bloqueio total, ou lockdown.

Não adianta proibir que metade dos veículos circulem na cidade se o motivo para muitos desses deslocamentos continuam existindo. Em alguns casos, o rodízio até manterá a pessoa em casa naquele dia. Mas, em muitos casos, o indivíduo sai porque ainda está trabalhando. Alguns o fazem de carro, e terão de recorrer ao transporte público, onde se encontrarão com os milhares ou milhões que já estão em metrôs, trens e ônibus por falta de opção.

O resultado é que o transporte público tende a ficar com mais aglomerações, um cenário ainda melhor para a transmissão do novo coronavírus. Permitir que uma parcela dessas pessoas continuassem usando o carro até seria melhor. Porque, para baixar efetivamente a circulação de pessoas, as autoridades precisam atacar o motivo de muitos desses deslocamentos: o trabalho que não é essencial.

A questão é que decretar o bloqueio total desagrada parte do eleitorado e muitos empresários. Assim, as autoridades paulistas tentam encontrar soluções alternativas que têm efeito nulo, se não for negativo.

Talvez não precisemos ficar neuróticos com tudo o que entra em casa

Lave as mãos. Várias vezes. Não coloque a mão no rosto. Limpe os pés, se possível, deixe os calçados do lado de fora da porta. Troque as roupas se sair, não custa nada. Ah, e se levar para casa algum objeto, mesmo compras do dia a dia, lave as embalagens. O novo coronavírus pode estar em qualquer lugar, esperando um descuido para o infectar.

Bem, as medidas são realmente recomendadas, mas o excesso de cuidado pode levar a exageros, neurose ou mesmo cansaço psicológico que tire a capacidade da população de enfrentar a quarentena. Até por provocação de seus leitores, o New York Times fez uma reportagem bastante interessante mostrando o risco efetivo (dentro do que já é cientificamente conhecido do comportamento do vírus) de várias dessas pequenas medidas de higiene do dia a dia.

Vale a pena conferir (texto em inglês).

A evolução histórica da divisão territorial do Brasil em vídeo

Brasil em 1655 (Michael Serra / Reprodução)

As últimas alterações no mapa do Brasil já completaram 32 anos. Foi na Constituição de 1988 que o Tocantins se separou de Goiás, enquanto que Amapá e Roraima foram elevados à condição de estados (eram territórios federais). Depois disso, já houve movimento para separar pedaços de vários estados brasileiros, o mais conhecido foi o da criação de Carajás e Tapajós a partir do Pará, mas nenhum outro parece prosperar.

Mas, ao longo da história, a divisão do território brasileiro já foi alterada diversas vezes. Isso motivou Michael Serra, historiador do São Paulo Futebol Clube, a fazer uma animação sensacional com todas as mudanças ao longo da história do País.

Ele próprio reconhece que o trabalho serve mais como referência, pois não há registros muito precisos na época do Brasil Colônia. Além disso, a inserção da ocupação dos povos indígenas é ainda mais desafiadora pela falta de informação, e essa parte do projeto ficou para depois.

De qualquer modo, dá para se divertir bastante imaginando que São Paulo já fez divisa com Pernambuco e Pará.

Acha que o Império Romano foi gigantesco? Pois olhe o Mongol

Fonte: Reddit / GalXE106

Quando estudamos História, é basicamente a História Ocidental. Até por isso, relatos sobre as dimensões do Império Romano sempre passam a sensação de algo interminável, que eles conseguiram dominar tudo o que havia disponível. Será mesmo?

Um usuário do Reddit fez um mapa sobreponto a extensão máxima conquistada pelos romanos com o mongóis, inclusive com parte dos Bálcãs, do Cáucaso da Ásia Menor e da Mesopotâmia tendo vivido sob domínio dos dois impérios em algum momento. Mas dá para ver bem como o Império Mongol foi vasto, quase o quíntuplo da área romana.

Com extensão de 24 milhões de km² (os romanos tiveram “apenas” 5 milhões), os mongóis tiveram o maior estado contínuo da história da humanidade. Só a União Soviética, com 22,8 milhões, chegou perto.

Obs.: o Império Britânico chegou a 35,5 milhões de km² no auge, mas espalhava-se por todos os continentes, não era um território contínuo

Brexit: veja o tamanho da encrenca na negociação da fronteira das Irlandas

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Um dos problemas mais delicados das negociações do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, é a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte. Durante décadas foi uma região quente, pois comunidades católicas e protestantes travaram diversos conflitos sobre a situação norte-irlandesa (se deve se unir à Irlanda ou seguir no Reino Unido).

LEIA MAIS: Brexit cria apreensão na cidade que sofreu Bloody Sunday de 1972

A União Europeia foi importante para esfriar os ânimos, pois as fronteiras se abriram e ser formalmente parte da Irlanda ou do Reino Unido deixou de ser tão importante assim. Até que os ingleses decidiram separar o país do resto da Europa, fazendo que a fronteira das Irlandas volte a ter uma função prática.

Veja no mapa abaixo (ou clique aqui para ver maior) quantos pontos de passagem estão abertos e deverão ser fechados para checagem de imigração de cada pessoa que atravesse essa linha. Não é pouco, tanto que há quem defenda que a negociação do Brexit adote um modelo que preserve o livre trânsito entre as Irlandas.

Mapa da Irlanda do Norte com destaque (em X) para os pontos de passagem na fronteira com a Irlanda (Assembleia da Irlanda do Norte)
Mapa da Irlanda do Norte com destaque (em X) para os pontos de passagem na fronteira com a Irlanda (Assembleia da Irlanda do Norte)